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Vermelhas, laranjas e rosas: guia digital gratuito revela as espécies de eritrinas que ocorrem no Brasil

Do Cerrado à Amazônia: conheça as 11 espécies de eritrinas do Brasil Ramon Guedes Oliveira As flores de cores intensas estão entre as características mais...

Vermelhas, laranjas e rosas: guia digital gratuito revela as espécies de eritrinas que ocorrem no Brasil
Vermelhas, laranjas e rosas: guia digital gratuito revela as espécies de eritrinas que ocorrem no Brasil (Foto: Reprodução)

Do Cerrado à Amazônia: conheça as 11 espécies de eritrinas do Brasil Ramon Guedes Oliveira As flores de cores intensas estão entre as características mais marcantes das eritrinas, plantas encontradas em diferentes regiões do Brasil. Para aproximar as pessoas dessa diversidade e auxiliar na identificação das espécies, o botânico Ramon Guedes Oliveira lançou um guia digital gratuito sobre as 11 espécies do gênero Erythrina que ocorrem no país. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram A ideia surgiu durante os estudos do pesquisador para a tese de doutorado. A familiaridade com o grupo e as pesquisas realizadas ao longo do trabalho deram origem também a um projeto de educação ambiental para ampliar o conhecimento sobre essas plantas. “Ao longo da pesquisa, me deparei com inúmeros equívocos de identificação em herbários e em bases de dados digitais, como a plataforma iNaturalist.org. Como várias dessas espécies são bastante comuns e populares, com usos tradicionais, inclusive medicinais, senti falta de um material de campo acessível e visual que reunisse todas as espécies brasileiras e contribuísse para a correta identificação delas. Foi dessa lacuna que nasceu a ideia do guia”, comenta Ramon Guedes Oliveira, biólogo, mestre e doutor em Botânica. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: BELEZA AMEAÇADA: Conheça as flores pretas do Cerrado que podem desaparecer; veja fotos FLAGRA: Harpia é flagrada predando macaco-guariba; "não consegui entender o que que era", diz biólogo VÍDEO: Bióloga encontra família de sauás no quintal e se emociona com filhote Espécies que atravessaram fronteiras Popularmente conhecida como candelabro, a Erythrina speciosa apresenta flores vermelhas e alongadas e é considerada a mais comum do grupo quando se leva em conta a área de ocorrência e o reconhecimento pelo público. O apelo visual da planta também atraiu a atenção em outras partes do mundo. “Esta espécie é endêmica do país e se propaga naturalmente com muita facilidade, brotando ao longo de córregos e rios. Devido ao porte mediano e à floração exuberante, que atrai beija-flores, é usada com frequência em projetos de paisagismo urbano, o que a torna a espécie mais conhecida do gênero no Brasil. Desde sua primeira descrição, no início do século XIX, a espécie tem sido levada a várias partes do mundo para cultivo ornamental, com registros nas Américas, Europa, Ásia e Oceania”, comenta o analista de conservação no Centro Nacional de Conservação da Flora, no Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (CNCFlora/JBRJ). Você conhece as eritrinas? Guia revela as 11 espécies encontradas no Brasil Ramon Oliveira Situação semelhante ocorre com outras espécies do gênero, como a Erythrina crista-galli. Considerada flor-símbolo do Uruguai, a planta tem distribuição pelo Pampa e pela bacia do Rio da Prata e é cultivada ao redor do mundo desde o século XVIII. “Há registros de E. crista-galli sendo cultivada nas Américas, no Caribe, na África, na Europa, na Ásia e na Oceania, sendo considerada invasora em partes do sudeste da Austrália. Além disso, E. falcata é uma espécie bem comum nas florestas da Serra do Mar, no Sudeste brasileiro, enquanto E. mulungu predomina no Cerrado, na região Centro-Oeste, e E. velutina, na Caatinga, na região Nordeste”, acrescenta Ramon. Erythrinas estão presentes nos seis biomas brasileiros Segundo o guia, as eritrinas podem atingir até 40 metros de altura. Atualmente, o grupo é composto por 119 espécies e quatro subespécies distribuídas pelo mundo. Até o momento, 72 espécies do gênero são reconhecidas nas Américas e no Caribe, 35 ocorrem na África e 15 podem ser encontradas na Ásia e na Oceania. Elas estão nos seis biomas: conheça as 11 espécies de eritrinas do Brasil Divulgação Guia Erythrinas do Brasil As 11 espécies encontradas no Brasil estão distribuídas pelos seis biomas do país. Algumas são mais difíceis de serem avistadas, como Erythrina amazonica, Erythrina poeppigiana e Erythrina similis. “No caso das amazônicas, o principal desafio é o acesso ao bioma, que exige guias locais experientes e longos deslocamentos fluviais. Erythrina poeppigiana e E. ulei são espécies arbóreas encontradas em áreas hoje dominadas por pastagens, o que as torna ainda mais raras na paisagem. Já E. similis provavelmente passa despercebida por seu hábito: é uma planta delgada, de ramos finos e tortuosos, que se confunde facilmente com a vegetação ao redor. Essas espécies estão entre as que possuem menos registros de coleta e, em geral, são conhecidas por indivíduos únicos e esparsos ao longo de sua distribuição”, explica o especialista. A variedade encontrada pelo país revela a riqueza da flora nacional e também pode ampliar o conhecimento sobre os ambientes, as mudanças e as adaptações das plantas. “As eritrinas se adaptaram a essa variedade de climas, solos e regimes de chuva, ocupando desde matas úmidas até áreas sazonalmente secas. Essa ampla distribuição geográfica, somada à combinação de barreiras naturais, polinizadores específicos e históricos evolutivos distintos, favoreceu a especiação do gênero no território brasileiro. Essa diversidade torna o gênero Erythrina um excelente modelo para estudos de biogeografia, adaptação e conservação da flora brasileira”, pontua o botânico. Do Cerrado à Amazônia: conheça as 11 espécies de eritrinas do Brasil Divulgação Guia Erythrinas do Brasil Uma 12ª espécie aparece no guia Além das espécies nativas encontradas no país, o documento apresenta uma 12ª: Erythrina x fluminensis, considerada uma planta híbrida, resultado de um possível cruzamento entre Erythrina fusca e Erythrina speciosa. Essa planta é cultivada somente no estado do Rio de Janeiro e não produz frutos. Botânico lança guia digital gratuito sobre as espécies de Erythrina que ocorrem no Brasil Ramon Oliveira Importância ecológica Muito além da beleza, as eritrinas desempenham um importante papel ecológico. As flores são ricas fontes de néctar para polinizadores, como beija-flores e espécies de abelhas nativas. O especialista destaca ainda que, por florescerem no inverno ou durante a estação seca, as eritrinas oferecem recursos em um período de escassez, ajudando a sustentar as populações desses polinizadores ao longo do ano. “Outro fator importante é que por serem leguminosas, suas raízes estabelecem associações com bactérias fixadoras de nitrogênio, enriquecendo o solo e contribuindo para a fertilidade de áreas naturais e de cultivo. Além disso, várias espécies têm comportamento pioneiro, colonizando clareiras e áreas degradadas, o que acelera a regeneração natural e favorece o restabelecimento da vegetação nativa. Esse conjunto de funções torna as eritrinas espécies-chave para a conservação da biodiversidade e para projetos de restauração ecológica”, lembra. Para Ramon, as eritrinas merecem reconhecimento e admiração dos brasileiros por reunirem beleza, papel ecológico, história cultural e potencial econômico. Com o guia, o botânico espera ampliar o conhecimento sobre essas plantas para além das flores. O documento também apresenta outras características das espécies, como as sementes coloridas, as diferentes texturas do caule e as estruturas pontiagudas e rígidas presentes em sua superfície. “São árvores que embelezam cidades, jardins e paisagens naturais, alimentam beija-flores e abelhas, recuperam solos degradados e carregam uma rica diversidade de nomes e saberes populares em todas as regiões do país. Algumas espécies estão profundamente ligadas à cultura e à memória das comunidades, seja pelo uso ornamental, seja pelo valor simbólico ou medicinal. Outras chamam atenção pela raridade e pela necessidade de conservação. Raras ou comuns, as eritrinas representam muito bem a riqueza, a diversidade e a resiliência da flora brasileira, e conhecê-las é também uma forma de valorizar e proteger os biomas onde ocorrem”, finaliza o autor do guia. Guia gratuito revela as 11 espécies de eritrinas encontradas no Brasil Divulgação Guia Erythrinas do Brasil Conheça as 11 espécies encontradas no Brasil: Erythrina amazonica Erythrina crista-galli Erythrina falcata Erythrina fusca Erythrina mulungu Erythrina poeppigiana Erythrina similis Erythrina speciosa Erythrina ulei Erythrina velutina Erythrina verna Quais são as características das eritrinas? Apesar de cada espécie possuir características próprias, as plantas do gênero também compartilham alguns aspectos. De maneira geral e simplificada, Ramon explica que um dos principais atrativos das eritrinas é o colorido intenso das flores, que varia entre tons de vermelho, laranja e rosa. O porte também pode variar. Geralmente, as plantas apresentam estrutura delgada e escultural, característica que favorece o uso em projetos paisagísticos que vão desde pequenos jardins até áreas maiores e abertas. Veja o que é destaque no g1: Agora no g1 O caule é forte e pode ser coberto por verrugas, texturas suberosas ou acúleos. O autor do guia ressalta que, antes do plantio e cultivo das eritrinas, é necessário escolher um local apropriado, que ofereça espaço para o desenvolvimento da copa e evite problemas com estruturas urbanas, como calçadas e redes elétricas. Como identificar Quando as eritrinas estão floridas, o reconhecimento se torna mais fácil. Mas também existem características que ajudam na identificação fora do período de floração. “Na ausência de flores, a identificação das eritrinas pode ser feita por um conjunto de características vegetativas bastante distintivas. O caule geralmente é armado com acúleos, estruturas pontiagudas não vascularizadas que se destacam com facilidade, diferentemente dos espinhos verdadeiros. As folhas são compostas por três folíolos e apresentam um par de glândulas no encontro dos folíolos laterais com o central, além de outro par na base do folíolo terminal. A combinação desses elementos (caule aculeado, folha trifoliolada e presença de glândulas) praticamente confirma a identidade do espécime como pertencente ao gênero Erythrina, mesmo quando a planta não está florida”, pontua. O documento sobre as eritrinas brasileiras está disponível gratuitamente na internet e pode ser baixado no site do programa Field Guides, do Field Museum de Chicago. O guia é indicado para botânicos, biólogos, estudantes, paisagistas, viveiristas, educadores ambientais e admiradores da flora nativa. “O programa Field Guides, do Field Museum de Chicago, é uma iniciativa notável de democratização do conhecimento sobre biodiversidade. Disponibiliza gratuitamente milhares de guias de campo visuais e de rápida identificação, sobre plantas, animais e fungos de diversas regiões do mundo. Ao publicar guias como o das eritrinas brasileiras, o programa cumpre um papel essencial na educação ambiental, na conservação e na aproximação entre ciência e sociedade”, explica Ramon. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente