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Operação Nexus: câmeras de associação de bairro vigiavam passos da polícia no interior de SP

Operação mira grupo suspeito de tráfico e lavagem de dinheiro na região de Campinas A organização criminosa investigada por tráfico de drogas em Itatiba ...

Operação Nexus: câmeras de associação de bairro vigiavam passos da polícia no interior de SP
Operação Nexus: câmeras de associação de bairro vigiavam passos da polícia no interior de SP (Foto: Reprodução)

Operação mira grupo suspeito de tráfico e lavagem de dinheiro na região de Campinas A organização criminosa investigada por tráfico de drogas em Itatiba (SP) utilizava câmeras de segurança de uma associação de moradores para monitorar, em tempo real, as forças de segurança. A entidade de bairro é ligada ao vereador Carlos Eduardo de Oliveira Franco, o Du Guaca (MDB), e à esposa dele. Segundo o Ministério Público (MP), documentos apreendidos revelam que o parlamentar e a esposa presidiram a associação em períodos diferentes. A suspeita é de que o sistema de monitoramento das câmeras comunitárias era compartilhado com os traficantes. "Essa associação que a gente vinculou às câmeras inicialmente, e que continua em apuração, era presidida por esse vereador e pela esposa dele. Então a gente achou documentos que indicaram que os dois foram e são presidentes em momentos diferentes", afirmou o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Rafael Salzedas. Bloqueio do trabalho policial Salzedas explicou que o monitoramento constante pela cidade impedia a realização de prisões e apreensões de drogas na rotina da Polícia Militar (PM) e da Polícia Civil. "Essa organização criminosa monitorava a cidade, as entradas e os principais pontos de controle, o que impedia a atuação diária até dos órgãos de controle da Polícia Militar, da Polícia Civil, para fazer flagrante, para prender drogas, verificar criminosos, porque eles tinham um controle constante", explicou Salzedas. Durante a operação nesta terça-feira (15), os agentes cumpriram mandados de busca na Câmara Municipal, na sede da associação e na residência do vereador. Na casa de Du Guaca, os policiais apreenderam cerca de R$ 20 mil em dinheiro em espécie. Em conversa informal com a polícia, o vereador alegou que o dinheiro é fruto de seu salário na Câmara. Ele afirmou que monitorava poucas câmeras por meio de um aplicativo e negou qualquer relação com os criminosos. O MP não pediu o afastamento do parlamentar de suas funções. Operação Nexus cumpriu mandados de busca e apreensão em Itatiba (SP) Polícia Militar / Divulgação Estratégia e tentativas de fuga Para burlar o sistema de vigilância da quadrilha, as forças de segurança planejaram iniciar o cumprimento dos mandados mais cedo do que o horário padrão das 6h. "A gente optou em fazer o cumprimento um pouco mais cedo, porque a gente imaginou que se fosse fazer o cumprimento normalmente às seis horas, eles já estariam fazendo acompanhamento das viaturas que estariam chegando", revelou o promotor. Mesmo com a mudança de horário, dois suspeitos tentaram fugir. Segundo Salzedas, "um dos alvos já estava em processo de fuga, foi apreendido no meio da fuga, e o outro tentou fugir para a casa do lado, mas também foi pego". A operação contou com 167 policiais militares e 44 equipes táticas do 1º e 10º Batalhões de Ações Especiais de Polícia (Baep). A ação teve o apoio da Corregedoria da PM e da base de aviação da corporação. Operação Nexus mira tráfico de drogas e lavagem de dinheiro no interior de SP Polícia Militar/Divulgação PM afastado Um policial militar que atuava em Itatiba, suspeito de ligação com o chefe do esquema, foi afastado das atividades operacionais. Ele passará a trabalhar no setor administrativo enquanto a Corregedoria investiga o caso. Celulares foram apreendidos na residência dele. Em Campinas (SP), mandados de busca foram cumpridos na casa e na loja de veículos do empresário Leandro Gabioneta. Ele é investigado por suspeita de participação no crime de lavagem de dinheiro, devido a transações financeiras com o chefe da organização criminosa. "Neste momento, como a gente entendeu que o vínculo [entre Leandro e o chefe da organização] vai um pouco além da relação meramente comercial, pode indicar uma participação, pelo menos, no crime de lavagem", detalhou Salzedas. Loja de veículos em Campinas (SP) foi um dos alvos da operação Sandra Granzotti/EPTV Origem da investigação O principal alvo da operação, Reginaldo Pereira da Silva, conhecido como "Tim", e a esposa, Roseli de Souza Figueiredo, foram presos em um condomínio fechado de alto padrão em Itatiba. O Gaeco aponta que "Tim" é um dos chefes regionais do Primeiro Comando da Capital (PCC), com histórico criminal que remete a 2008. A investigação que resultou na Operação Nexus começou há quatro meses. O ponto de partida foi a análise de um telefone celular apreendido na "Operação Onça Preta", que mirava um traficante apelidado de "Fantasma", em Jaguariúna (SP). Mensagens revelaram que o criminoso prestava contas diretamente a "Tim", que utilizava lojas de veículos para ocultar o dinheiro do tráfico de drogas. No total, a ação terminou com: Cinco presos temporários Um preso em flagrante Apreensão de quase R$ 200 mil em dinheiro, mais de 10 kg de drogas e carros avaliados em R$ 5 milhões A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias e de bens imóveis dos investigados. O que dizem os citados Em nota, a Câmara Municipal de Itatiba informou que "até o presente momento, a investigação não está relacionada ao exercício da função parlamentar do vereador, à atuação institucional da Câmara Municipal ou a atos praticados em nome desta Casa Legislativa". A instituição ainda ressalta que o mandado foi direcionado exclusivamente ao gabinete de Du Guaca. "Esclarece-se, igualmente, que os fatos se encontram sob investigação, não cabendo à Câmara Municipal antecipar qualquer conclusão acerca das circunstâncias apuradas ou de eventual responsabilidade. Ao vereador mencionado, assim como a qualquer pessoa submetida a procedimento investigatório, são assegurados o devido processo legal, a presunção de inocência, o contraditório e a ampla defesa, nos termos da Constituição Federal", finaliza o texto. O g1 tenta localizar as defesas dos investigados. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas