cover
Tocando Agora:

Câmera no Studio

Niquim: peixe peçonhento brasileiro ajuda a entender o sistema imunológico

Peixe peçonhento do Brasil ajuda cientistas a entender a inflamação sascha_burgos / iNaturalist Pequeno e difícil de ser visto quando permanece parcialmente...

Niquim: peixe peçonhento brasileiro ajuda a entender o sistema imunológico
Niquim: peixe peçonhento brasileiro ajuda a entender o sistema imunológico (Foto: Reprodução)

Peixe peçonhento do Brasil ajuda cientistas a entender a inflamação sascha_burgos / iNaturalist Pequeno e difícil de ser visto quando permanece parcialmente enterrado na areia, o niquim (Thalassophryne nattereri) é um peixe peçonhento encontrado principalmente no Norte e Nordeste do Brasil. Conhecido pela dor intensa provocada em acidentes com pescadores e banhistas, ele passou a ser estudado por pesquisadores do Instituto Butantan em 1996, que buscavam entender por que seu veneno produzia lesões diferentes das observadas em outros acidentes com animais peçonhentos. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram Os estudos mostraram que o veneno desencadeia uma resposta inflamatória intensa, acompanhada de dor, inchaço e dificuldade de cicatrização. Segundo o biólogo Airton Cesar Silva, é justamente esse comportamento incomum que despertou o interesse dos pesquisadores. "O que torna o niquim um modelo de estudo tão fascinante é que o seu veneno age de forma diferente do veneno de serpentes ou aranhas. Ele provoca uma isquemia severa e desorganiza a matriz extracelular do tecido afetado, impedindo que as células de defesa cheguem à ferida. É exatamente esse mecanismo peculiar que explica a necrose intensa e a dificuldade extrema de cicatrização observadas nos pescadores acidentados." Durante essas pesquisas, os cientistas caracterizaram proteínas inéditas no veneno do peixe, como as Natterins e a lectina Nattectin, ampliando o conhecimento sobre seus componentes e seus efeitos no organismo. Com o avanço dos estudos, o interesse científico deixou de se concentrar apenas no envenenamento. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: BALEIAS-JUBARTEE E AVE DISCRETA: Acompanhe a aventura do Terra da Gente em Ilhabela (SP) PREOCUPAÇÃO: Antidepressivo é encontrado no cérebro de tubarões-martelo no litoral do Brasil ACHADOS: Parque no interior de SP revela dois novos besouros e inseto visto apenas uma vez em 60 anos Do veneno ao 'remédio' Essas proteínas passaram a ser utilizadas como modelo para investigar mecanismos envolvidos na inflamação e no funcionamento do sistema imunológico. "A partir de um problema de saúde pública costeira, a ciência encontrou respostas imunológicas inéditas. As proteínas deixaram de ser vistas apenas como toxinas perigosas e se tornaram 'chaves' moleculares", explica. Veja o que é destaque no g1, hoje: Agora no g1 História antiga Outra descoberta importante foi a identificação de proteínas semelhantes às Natterins em centenas de espécies de diferentes grupos de animais. Essa constatação mostrou que essa família de proteínas é muito mais antiga do que se imaginava e pode desempenhar funções biológicas que vão além do envenenamento. "Genes que codificam proteínas semelhantes às Natterins foram identificados em centenas de espécies, incluindo corais, insetos, fungos e até esponjas. Isso mostra que essa família de proteínas é conservada há milhões de anos." Apesar da reputação de perigoso, o niquim não é considerado um peixe agressivo. Os acidentes costumam ocorrer quando pescadores ou banhistas pisam no animal sem perceber sua presença, já que ele permanece camuflado no fundo arenoso ou lodoso de praias, estuários e manguezais. Além de integrar esses ecossistemas costeiros, a espécie também contribui para o avanço da ciência ao fornecer informações valiosas sobre processos inflamatórios e sobre o funcionamento do sistema imunológico. O peixe niquim Niquim também é chamado de peixe-pedra ou boca-de-sapo-de-poça sascha_burgos / iNaturalist Nome científico: Thalassophryne nattereri Nome popular: Niquim Habitat: Águas rasas de praias, estuários e manguezais, onde permanece parcialmente enterrado na areia ou na lama. Como ocorrem os acidentes: Geralmente quando as pessoas pisam no peixe ou o manipulam inadvertidamente. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente