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Espatódea mata abelhas? Especialista explica o que a ciência já sabe sobre a espécie

Flor de Tulipeira-Africana (Spathodea campanulata) lobotaniser / iNaturalist Conhecida pelas flores grandes e alaranjadas, a espatódea (Spathodea campanulata) ...

Espatódea mata abelhas? Especialista explica o que a ciência já sabe sobre a espécie
Espatódea mata abelhas? Especialista explica o que a ciência já sabe sobre a espécie (Foto: Reprodução)

Flor de Tulipeira-Africana (Spathodea campanulata) lobotaniser / iNaturalist Conhecida pelas flores grandes e alaranjadas, a espatódea (Spathodea campanulata) voltou ao centro de um debate ambiental. Um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) propõe restringir o plantio da espécie no estado, sob o argumento de que ela pode representar riscos para abelhas e outros polinizadores. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram Nas redes sociais, a árvore ganhou fama de "matadora de abelhas". Mas será que essa afirmação é sustentada pela ciência? Segundo especialistas, a resposta ainda não é definitiva. De origem africana, a espatódea foi introduzida no Brasil há décadas e passou a ser utilizada na arborização urbana devido ao rápido crescimento e à exuberância das flores. Apesar disso, a espécie passou a ser alvo de questionamentos por causa de estudos que sugerem uma possível relação entre suas flores e a mortalidade de algumas espécies de abelhas, principalmente as sem ferrão. No entanto, o tema ainda divide pesquisadores. Fundador e presidente do Jardim Botânico Plantarum, em Nova Odessa (SP), o engenheiro-agrônomo e mestre em Botânica Harri Lorenzi afirma que as evidências científicas disponíveis ainda são insuficientes para estabelecer uma relação conclusiva entre a espécie e a morte de polinizadores. "São raros os trabalhos científicos relacionados a este tema, que continua sem consenso", afirma. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: COGUMELOS: Pela 1ª vez, Brasil cria lista oficial de fungos ameaçados de extinção SAPEADA: Atividade leva visitantes para observar anfíbios na natureza INÉDITO: Ninho de gavião-de-penacho é encontrado pela primeira vez em reserva de MT Espatódea não é considerada uma espécie invasora Espatódia registrada em Guaratinguetá (SP) roberto73151 / iNaturalist Embora seja uma espécie exótica, Lorenzi explica que a espatódea não pode ser classificada como invasora. "A espatódea é uma espécie exótica ou introduzida, porém não é invasora. Ela não invade outras áreas a menos que seja levada pelo homem. As sementes podem ser disseminadas pelo vento, porém não são muito viáveis a ponto de estabelecer populações sem controle." A diferença é importante. Enquanto espécies exóticas são aquelas introduzidas fora de sua área de ocorrência natural, apenas uma parcela delas consegue se estabelecer, se espalhar e causar impactos ambientais, passando a ser considerada invasora. Veja o que está em alta no g1: Agora no g1 O que dizem os estudos De acordo com Lorenzi, pesquisas conduzidas há cerca de 20 anos no Jardim Botânico Plantarum compararam a quantidade de abelhas-sem-ferrão encontradas mortas nas flores da espatódea com outras espécies da mesma família botânica e com flores de formato semelhante. Segundo ele, os resultados não indicaram diferenças estatisticamente significativas entre as espécies analisadas. "Nos estudos conduzidos aqui no Jardim Botânico Plantarum, não encontramos números significativamente maiores até um nível estatístico de 5% de probabilidade." O pesquisador ressalta, no entanto, que esse estudo não foi publicado em periódico científico e, por isso, não passou pelo processo de revisão por pares. Há outros impactos ambientais? Espatódea em Piracicaba Yasmin Moscoski/g1 Além da discussão sobre os polinizadores, não há evidências de que a espatódea provoque outros impactos relevantes sobre a biodiversidade, segundo Lorenzi. "Absolutamente nenhum. Além do efeito negativo não comprovado sobre a fauna, não se constatou até o momento híbridos naturais ou populações sem controle na natureza." A árvore deve ser retirada? Para o pesquisador, a substituição da espécie deve ocorrer de forma gradual, sem a remoção de exemplares adultos apenas por serem espatódeas. "Árvores já adultas não deveriam ser removidas porque o plantio de novas espécies não é algo automático em áreas públicas." Ele defende, porém, que novos plantios priorizem espécies nativas. "Quando entrarem em senescência ou morte, nos novos plantios ela deve ser evitada porque sempre é desejável priorizar o plantio de espécies nativas em todas as situações." Espatódea (Spathodea campanulata) João de Deus Medeiros/ Arquivo pessoal Além da preferência por árvores nativas, Lorenzi observa que a espatódea também não é indicada para arborização de ruas por questões de segurança. "A espatódea não é adequada para plantio em vias públicas pelo seu grande porte e porque suas flores podem causar quedas de transeuntes devido à sua suculência." Assim, embora o debate sobre os possíveis efeitos da espécie sobre as abelhas permaneça aberto, o consenso entre especialistas é que a arborização urbana deve privilegiar árvores nativas, mais adaptadas aos ecossistemas brasileiros e capazes de oferecer alimento e abrigo para a fauna local. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente