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Entenda por que a arara-azul-grande voltou à lista de espécies ameaçadas de extinção

Entenda por que a arara-azul-grande voltou à lista de espécies ameaçadas de extinção Roberta Kraemer Após mais de uma década fora da lista nacional de es...

Entenda por que a arara-azul-grande voltou à lista de espécies ameaçadas de extinção
Entenda por que a arara-azul-grande voltou à lista de espécies ameaçadas de extinção (Foto: Reprodução)

Entenda por que a arara-azul-grande voltou à lista de espécies ameaçadas de extinção Roberta Kraemer Após mais de uma década fora da lista nacional de espécies ameaçadas, a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) voltou a ser classificada como Vulnerável à Extinção pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram A reclassificação, divulgada em junho, está diretamente relacionada aos impactos dos grandes incêndios no Pantanal, mas também reflete uma combinação de fatores que vêm comprometendo a sobrevivência da espécie nos últimos anos. Segundo a bióloga Neiva Guedes, presidente e fundadora do Instituto Arara Azul, dados de monitoramento apontam redução da população, alterações no habitat e queda no sucesso reprodutivo das aves após as grandes queimadas registradas no bioma. "Nós tivemos um grupo monitorado há mais de 20 anos que reduziu cerca de 60% dos indivíduos que ocupavam um dormitório tradicional há mais de 60 anos. Houve uma redução significativa da sobrevivência dos indivíduos e do sucesso reprodutivo", afirma. Ela explica que a decisão de recolocar a espécie na categoria Vulnerável não foi motivada por um único indicador, mas pela análise conjunta de diferentes fatores. "Foi um conjunto de evidências: a redução de indivíduos, a perda e as alterações no habitat e, principalmente, os efeitos dos grandes incêndios sobre a reprodução das araras-azuis", diz. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: LÓRI: Três encontros em 100 anos: 'ave perdida' é reencontrada na Indonésia SHARK: Tubarão-mangona utiliza litoral paulista como local de reprodução ADAPTAÇÃO: Árvores da Amazônia fazem 'contas'? Veja como elas podem mudar de estratégia para sobreviver Sobrevivência depende de poucos recursos Entenda por que a arara-azul-grande voltou à lista de espécies ameaçadas de extinção Roberta Kraemer A arara-azul-grande é considerada uma espécie altamente especializada. Na natureza, depende de poucas espécies vegetais para se alimentar e de árvores específicas para se reproduzir. Essa característica faz com que seja especialmente sensível às mudanças provocadas pelo fogo. Quando os incêndios atingem o Pantanal, não apenas ninhos, ovos e filhotes são perdidos, mas também áreas essenciais para alimentação e abrigo. Além dos impactos imediatos, os efeitos podem persistir por anos. Veja o que está em alta no g1: Agora no g1 O monitoramento realizado pelo Instituto Arara Azul aponta diminuição do número de casais reprodutivos e menor sucesso na criação de filhotes após os grandes incêndios registrados no bioma. Outro fator que preocupa os pesquisadores é o tempo necessário para a reposição da população. A arara-azul-grande leva entre sete e nove anos para atingir a maturidade reprodutiva, o que torna a recuperação mais lenta diante de eventos extremos. Avanços não foram perdidos Mesmo com o retorno da espécie à lista de ameaçadas, Neiva Guedes destaca que os resultados obtidos nas últimas décadas de conservação continuam sendo fundamentais para sua sobrevivência. O trabalho realizado desde 1990, com monitoramento de ninhos, instalação de ninhos artificiais e manejo de áreas reprodutivas, foi decisivo para que a arara-azul-grande deixasse a lista de espécies ameaçadas em 2014. "Não significa que todo o avanço foi perdido. Muito pelo contrário. A situação só não é mais crítica porque houve um trabalho ininterrupto de conservação durante todos esses anos", afirma. Segundo Neiva, sem essas ações a espécie poderia estar atualmente em uma categoria de ameaça ainda mais grave. O que muda a partir de agora? Entenda por que a arara-azul-grande voltou à lista de espécies ameaçadas de extinção Roberta Kraemer Na avaliação da fundadora do Instituto Arara Azul, a nova classificação deve ampliar a atenção dedicada à espécie por órgãos públicos, pesquisadores e pela sociedade. "O retorno à lista chama a atenção das autoridades, da legislação, dos governantes, da imprensa e das pessoas em geral para uma espécie que precisa de cuidados especiais", explica. Entre as medidas consideradas prioritárias estão o fortalecimento do combate aos incêndios, a proteção do habitat, o enfrentamento ao tráfico de animais silvestres e a redução dos impactos causados pelo uso de agrotóxicos nas áreas onde a espécie ocorre. A presidente do Instituto também defende o fortalecimento da educação ambiental e da participação da população em iniciativas de ciência cidadã voltadas ao monitoramento e à conservação da biodiversidade. Incêndios continuam sendo a principal ameaça Registro de incêndio florestal avançando sobre o Pantanal na região de Miranda (MS) faz parte da série 'Apocalypse', do fotojornalista Lalo de Almeida, e aparece entre as imagens finalistas na categoria profissional Paisagem Lalo de Almeida/2025 Sony World Photography Awards Embora a perda de habitat, o tráfico de animais e o uso de agrotóxicos também preocupem os pesquisadores, os incêndios seguem sendo o principal risco para a arara-azul-grande. A preocupação é ainda maior diante das previsões climáticas para os próximos meses. "Considerando o que se projeta para o El Niño, a situação é extremamente preocupante. Já tivemos um cenário drástico recentemente e a previsão é que possa piorar", alerta Neiva Guedes. Para ela, proteger a arara-azul-grande significa também proteger os ambientes dos quais a espécie depende para sobreviver. "Sem as árvores utilizadas para reprodução e sem os recursos alimentares de que necessita, ela simplesmente não consegue se manter na natureza", conclui. *Sob supervisão de Rodrigo Peronti. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente