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Cientistas usam ‘drones termais’ e encontram animais noturnos até 20 vezes mais rápido; veja vídeo

Cientistas usam ‘drones termais’ para encontrar animais noturnos Espécies de vida noturna, algumas com risco de extinção, estão sendo identificadas com ...

Cientistas usam ‘drones termais’ e encontram animais noturnos até 20 vezes mais rápido; veja vídeo
Cientistas usam ‘drones termais’ e encontram animais noturnos até 20 vezes mais rápido; veja vídeo (Foto: Reprodução)

Cientistas usam ‘drones termais’ para encontrar animais noturnos Espécies de vida noturna, algumas com risco de extinção, estão sendo identificadas com muito mais facilidade a partir de uma solução encontrada por pesquisadores brasileiros. São drones com câmeras térmicas, já em uso no Ceará, que reduzem em até 20 vezes o tempo para encontrar os animais. Com isso, atividades que antes levavam 2 horas para detectar um bicho, agora, acontecem em 8 minutos. A ferramenta pode ser usada para identificar principalmente porcos-espinhos e outros mamíferos arborícolas (espécies adaptadas para viver nas árvores) noturnos, além de auxiliar no resgate de animais durante incêndios florestais. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp O estudo é de cientistas das universidades Estadual do Ceará (Uece), Federal do Ceará (UFC), Estadual do Norte Fluminense (UENF), Federal de Viçosa (UFV), Estadual de Santa Cruz (UESC) e Seteg Soluções Ambientais. Na Serra de Baturité, a cerca de 100 km de distância de Fortaleza, o estudo tem tornado possível o monitoramento do porco-espinho-de-baturité, espécie catalogada, pela primeira vez, no território cearense. O g1 CE noticiou, em 2013, quando os biólogos descobriram a espécie no Estado. Espécie de porco-espinho foi identificada pela primeira vez no Ceará. Igor Gutierrez. Como foi feito o estudo A pesquisa começou em 2022 e levou 4 anos para chegar aos resultados que foram publicados neste ano, na revista Global Ecology and Conservation. Apesar de o achado abrir caminhos para a conservação, a tecnologia ainda é financeiramente inacessível – variando entre R$ 70 e R$ 350 mil – e exige um treinamento específico. Saiba como funciona: Os biólogos usam um drone equipado com câmeras térmicas. A tecnologia exige um treinamento específico. Os voos de drone acontecem na madrugada, já que o calor do Sol atrapalha as imagens que dependem do contraste. As imagens são analisadas para identificação da espécie e elaboração de outros estudos. O trabalho mostra que essa tecnologia permite localizar com muito mais rapidez mamíferos arborícolas noturnos, como os porcos-espinhos, também conhecidos como quandus ou ouriços. Os pesquisadores consideram esse grupo como um dos mais desafiadores para estudos de campo. O biólogo Igor Gutierrez, autor principal do artigo, decidiu se dedicar ao estudo depois de um teste feito na Serra de Baturité para monitorar uma espécie de porco-espinho. Logo no primeiro voo com o "drone termal", acharam o animal em menos de 2 minutos. “Isso foi impressionante, pois sabíamos da dificuldade de encontrar essa espécie, principalmente por se tratar de um animal que passa grande parte da vida no topo das árvores, em locais quase inacessíveis ao olhar humano, muitas vezes exigindo mais de 19 horas de busca a pé na mata para localizar um único indivíduo”, contextualiza. Esses animais de hábitos noturnos ainda são pouco estudados, justamente pela dificuldade de monitoramento. Eles vivem em topos de árvores, em ambientes densos e de difícil acesso. O estudo detectou 18 indivíduos de três espécies e comparou 198 minutos de voo com drone a 4.414 minutos de busca terrestre. Grupo de pesquisadores utilizou drones termais e fez missões noturnas para identificar espécies. Julyanne Vasconcelos; Mauro Galetti. Conservação das espécies A tecnologia também pode ser aplicada em projetos de conservação de espécies e facilitar a tomada de decisões dos órgãos de meio ambiente, como exemplifica Hugo Fernandes, coordenador da pesquisa. Outro uso é na análise dos animais em terrenos onde há interesse de supressão vegetal autorizada. “É muito comum animais arborícolas sofrerem acidentes nesse processo. Os drones vão permitir que eles sejam resgatados antes disso, garantindo a proteção animal e também economia de recursos despendidos para sua recuperação”, acrescenta Hugo. O professor Fabiano Melo, da Universidade Federal de Viçosa, foi quem fez o primeiro levantamento aéreo desta pesquisa e é considerado um dos principais especialistas em drones para conservação do Brasil. Missões na mata O estudo ganhou a participação de pesquisadores do Ceará, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com levantamentos feitos em fragmentos de Mata Atlântica destes estados. O grupo fez buscas visuais diurnas e voos noturnos com o drone específico. As missões foram realizadas entre 17h e 22h, período de maior atividade dos porcos-espinhos. Os voos foram conduzidos a altitudes variando entre 10 e 20 metros acima do dossel das florestas. “Quando uma assinatura térmica era detectada, aproximávamos o drone devagar, evitando qualquer estresse ao animal, e acionávamos a câmera RGB para tentar confirmar a espécie visualmente”, detalha Igor Gutierrez. A câmera RGB, a qual Igor se refere, ajuda na confirmação visual da espécie. Cada voo foi registrado em vídeo e fotografias para validação dos dados. A partir dessas informações, o grupo começou a calcular o tempo médio de identificação. Ficou claro que não estávamos apenas otimizando o tempo, mas também os custos envolvidos. Isso permite acelerar projetos de conservação, estudos de licenciamento ambiental, resgates de fauna e o monitoramento ambiental. A maior satisfação é a de saber que estamos trabalhando na intersecção entre ciência, tecnologia e conservação da biodiversidade Futuro da pesquisa De acordo com os cientistas, os drones permitem realizar levantamentos detalhados em larga escala e com equipes menores. Isso viabiliza estratégias que vão desde estudos populacionais e mapeamento de áreas prioritárias para conservação até missões de resgate em incêndios. O próximo passo da pesquisa, já em andamento, é avaliar a possibilidade de combinação do drone termal com inteligência artificial. “Acredito que podemos trabalhar com algoritmos de detecção e quantificação automática, o que pode vir a otimizar cada vez mais a forma como trabalhamos hoje”, conclui Hugo Fernandes. O pesquisador destaca que os equipamentos não são acessíveis financeiramente e lembra da importância de fiscalização para evitar o uso de equipamentos para caça, por exemplo. “É um equipamento caro, mas que aos poucos vem se tornando uma realidade nas mãos de instituições públicas e privadas que trabalham para a conservação da biodiversidade. A tendência é que com o tempo isso se torne mais acessível dada a competição de mercado”, frisa o pesquisador. Quandu de baturité fotografado na Serra de Baturité, no interior do Ceará Hugo Ferreira/ Arquivo pessoal Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: