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Deputado do ES é condenado a indenizar professor acusado de 'doutrinação' em vídeo

Deputado Lucas Polese (PL) foi condenado a indenizar professor que ele acusou de doutrinação em vídeo Reprodução O deputado estadual Lucas Polese (PL) foi ...

Deputado do ES é condenado a indenizar professor acusado de 'doutrinação' em vídeo
Deputado do ES é condenado a indenizar professor acusado de 'doutrinação' em vídeo (Foto: Reprodução)

Deputado Lucas Polese (PL) foi condenado a indenizar professor que ele acusou de doutrinação em vídeo Reprodução O deputado estadual Lucas Polese (PL) foi condenado pela Justiça a pagar indenização de R$ 8 mil a um professor da rede municipal de Jaguaré, no Norte do Espírito Santo, após publicar um vídeo nas redes sociais em que associava o educador à doutrinação ideológica, apologia ao comunismo e incentivo à invasão de propriedades rurais. O parlamentar não se manifestou. Segundo a decisão publicada no Diário da Justiça, o deputado também é obrigado a retirar definitivamente a publicação das plataformas digitais. Ainda cabe recurso ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Segundo o processo, o caso teve origem em um vídeo divulgado pelo parlamentar em 2024. As imagens mostravam uma palestra realizada na Escola Família Agrícola de Jaguaré (EFAJ) sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde e no meio ambiente. O professor alegou que teve a imagem exposta sem autorização e que foi acusado de práticas que nunca ocorreram. A sentença foi assinada em 30 de maio pelo juiz Ronaldo Domingues de Almeida, da Vara Única de Jaguaré. Procurado por meio da assessoria de imprensa, Polese não se manifestou sobre a decisão judicial até a publicação desta reportagem. Agora no g1 LEIA TAMBÉM: COMERCIANTE: Dona de bar é encontrada morta a facadas dentro do próprio estabelecimento em Itapuã CRIME: Homem é morto a tiros um dia após ser detido e liberado pela polícia durante tiroteio em Vila Velha COMO ASSIM?! Criança de 2 anos compra sofá de R$ 1,9 mil por aplicativo e família só descobre quando produto é entregue Sem provas das acusações Ao analisar o caso, o magistrado concluiu que não havia provas de doutrinação política, propaganda ideológica ou incentivo à invasão de terras por parte do professor. Na sentença, o juiz destacou que o educador participava de uma atividade de caráter acadêmico e educativo voltada à discussão dos efeitos dos defensivos agrícolas. Para o magistrado, o deputado ultrapassou os limites do direito à livre manifestação ao vincular diretamente o professor a acusações sem comprovação. Em um dos trechos da decisão, o juiz afirmou que Polese não se restringiu a debater ideias ou políticas públicas. Segundo o entendimento adotado, o parlamentar direcionou as críticas ao educador ao exibir sua imagem e questionar seguidores sobre a possibilidade de seus filhos terem aulas com pessoas como ele, associando o professor à apologia ao comunismo em sala de aula. O magistrado ressaltou ainda que a liberdade de expressão é uma garantia constitucional, mas não autoriza violações à honra e à imagem de terceiros. Para ele, a publicação extrapolou os limites da crítica política e provocou danos à reputação do professor. A sentença registra que o vídeo ultrapassou 41 mil visualizações nas redes sociais, ampliando o alcance das acusações. ELEIÇÕES 2026: Quaest mostra empate técnico entre 4 pré-candidatos na disputa pelo governo do ES Quaest: Renato Casagrande aparece à frente na disputa pelo Senado no ES Imunidade parlamentar foi analisada Um dos pontos discutidos no processo foi a imunidade parlamentar, prerrogativa constitucional que protege deputados por opiniões, palavras e votos relacionados ao exercício do mandato. O juiz reconheceu que parlamentares têm ampla liberdade para participar do debate público e fazer críticas. No entanto, entendeu que a proteção não se aplica quando há ataques direcionados a pessoas específicas ou atribuição de fatos sem comprovação. Além da indenização, o professor pediu que o deputado fosse obrigado a publicar uma retratação em suas redes sociais. O pedido, porém, foi rejeitado. Segundo o juiz, uma nova publicação poderia dar ainda mais visibilidade ao episódio e expor novamente o educador a ataques na internet. *Com informações de Tiago Alencar. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo