OMS dispensa restrições de viagem à Índia após casos de Nipah e aponta baixo risco de propagação

  • 30/01/2026
(Foto: Reprodução)
O que se sabe sobre o surto do vírus Nipah na Índia A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira (30) que não recomenda restrições a viagens ou comércio à Índia após as confirmações de casos do vírus Nipah. Segundo o órgão, há baixo risco de propagação do vírus mesmo com o país tendo anunciado dois casos confirmados. A Índia tem cerca de 110 pessoas em quarentena em meio a um novo surto do Nipah. O isolamento aconteceu depois que dois profissionais de saúde foram tratados no início de janeiro após contraírem o vírus. ➡️ O Nipah pode causar infecções respiratórias agudas e encefalite (inchaço do cérebro). É transmitido entre humanos e também de animais como morcegos e porcos. (veja mais abaixo) Mesmo alegando um baixo risco de transmissão global, a OMS classifica o vírus como prioritário devido à sua capacidade de desencadear uma epidemia. Não há vacina para prevenir a infecção e nenhum remédio para curá-la. ⚠️ Não há registros da doença no Brasil nem em outros países da América Latina. Segundo especialistas, a preocupação maior com relação ao vírus fica restrita à Índia e a países vizinhos, que têm o hospedeiro principal do vírus, um tipo de morcego. O que se sabe sobre o Nipah Rosana Richtmann, médica infectologista do Grupo Santa Joana, explica que o vírus é muito agressivo do ponto de vista do sistema nervoso central. "Os sintomas iniciais são como os de qualquer outra virose: dor de cabeça, dor no corpo, febre. Só que eles evoluem em alguns dias para um quadro de alteração do nível de consciência [...] que pode evoluir para consequências neurológicas e até para a morte", detalha a infectologista. O que se sabe sobre o vírus mortal que fez região na Índia fechar escolas e escritórios Como ocorre a transmissão do vírus Nipah O vírus Nipah é patógeno com alto índice de letalidade Universal Images Group/Getty Images De acordo com a OMS, a doença é considerada zoonótica – ou seja, é transmitida de animais como porcos e morcegos frugívoros para seres humanos. ➡️ O vírus também pode ser transmitido por meio de alimentos contaminados e por contato com uma pessoa infectada. "É um vírus zoonótico, ou seja, que pode passar dos animais para os seres humanos. A transmissão de pessoa para pessoa até pode ocorrer, mas é mais comum em profissionais da saúde", analisa Richtmann. Ao entrar no corpo humano, o vírus afeta o sistema respiratório e o sistema nervoso central. Quais os principais sintomas? Nem todas as pessoas apresentam sintomas visíveis. Outras, no entanto, desenvolvem sinais e consequências como: Sintomas semelhantes à gripe (incluindo febre, dor de cabeça, dor muscular, fadiga e tontura) Dificuldades respiratórias Encefalite (inflamação do cérebro que resulta em sintomas como confusão, desorientação, sonolência e problemas neurológicos como convulsões) Quando o vírus progride rapidamente, há risco de coma e morte. Nos casos mais graves, sobreviventes podem experimentar efeitos neurológicos de longo prazo. Como é o diagnóstico? A infecção pode ser diagnosticada com base no histórico clínico durante a fase aguda e de convalescença da doença. Os principais testes utilizados incluem a reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT-PCR) em fluidos corporais e a detecção de anticorpos por ensaio imunoenzimático (ELISA). Outros testes utilizados incluem o ensaio de reação em cadeia da polimerase (PCR) e o isolamento do vírus por cultura de células. Alta taxa de mortalidade A taxa de mortalidade entre aqueles que contraem o vírus é alta – chega a 70%. Isso acontece porque não há remédio que possa combater a infecção. A única opção é controlar os sintomas. "Não existe nem vacina, nem tratamento específico. O tratamento que a gente oferece é de suporte, isto é, hidratação e manutenção da pressão. Não existe nenhuma medicação específica", explica a infectologista. O que se sabe sobre o vírus mortal que fez região na Índia fechar escolas e escritórios Surtos anteriores O vírus Nipah foi inicialmente identificado em 1999 durante um surto que afetou criadores de suínos na Malásia. Desde então, não foram registrados novos surtos desse vírus no país. Em 2001, o vírus foi identificado em Bangladesh, onde surtos quase anuais têm ocorrido desde então. Em 2018, a Índia, e mais especificamente a cidade Calecute, relatou seu primeiro - e pior - surto de Nipah, quando 17 dos 18 casos confirmados morreram. Em 2019, um caso foi relatado no distrito de Ernakulam e o paciente se recuperou. Mas em 2021, um menino de 12 anos na vila de Chathamangalam, infectado, morreu. Especialistas dizem que, devido à perda de habitat, os animais estão vivendo em maior proximidade com os seres humanos, o que ajuda o vírus a saltar dos animais para os humanos. De acordo com a OMS, outras regiões também podem estar em risco de infecção, uma vez que evidências do vírus foram encontradas em reservatórios naturais conhecidos, como a espécie de morcego Pteropus, e em várias outras espécies de morcegos em diversos países, incluindo Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Tailândia.

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/01/30/oms-restricoes-viagem-india-nipah-baixo-risco-de-propagacao.ghtml


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