Memória afetiva e paz na natureza: o que leva veranistas a escolherem campings em vez da beira da praia

  • 15/02/2026
(Foto: Reprodução)
Campings na praia são opções para curtir o verão e o Carnaval em calma e na natureza Arrumar a barraca logo cedo, esquentar a água no fogão adaptado e preparar o chimarrão cercado pelo verde. Para muitas famílias, o dia começa assim em campings do Litoral Norte do Rio Grande do Sul. É um jeito simples, econômico e cada vez mais valorizado de viver o verão em meio à natureza. É o caso do empresário Robinson Nunes, que cresceu acampando com os pais e agora quer resgatar essa tradição com os filhos. Instalado em um camping da região, ele conta que a escolha vai além da economia: envolve memória afetiva e qualidade de vida. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp “Tem essa nostalgia do que era antigamente, do camping, que a gente acabou se afastando por causa do trabalho e das ocupações do dia a dia. A ideia é resgatar isso, criar memórias com os filhos, viver algo mais saudável, em contato com a natureza, em outro ritmo”, relata. A viagem, segundo Robinson, também serve como um teste. A intenção é ajustar equipamentos e, na sequência, buscar os filhos para passar mais dias juntos no camping, aproveitando o período de verão no litoral gaúcho. Quando famílias procuram espaços como esses, o objetivo é justamente viver experiências mais reais: acordar com o som dos pássaros, observar os animais, sentir a brisa da lagoa e desacelerar. A combinação entre custo-benefício e contato direto com a natureza tem atraído cada vez mais pessoas. Em Tramandaí, um camping que funciona há mais de 30 anos recebeu mais de 100 barracas apenas no último Réveillon. A expectativa para o Carnaval também é de lotação máxima. A diária custa a partir de R$ 50 por pessoa, valor que torna a opção muito mais acessível do que hotéis ou pousadas tradicionais. “Para uma família de três ou quatro pessoas, acaba sendo muito mais viável financeiramente. O custo é melhor do que ficar em hotel, por isso muita gente opta pelo camping”, explica a proprietária do espaço, Andrea Franzen. Algumas histórias se confundem com a própria trajetória do lugar. A professora Lenira Chiavagati frequenta o camping com a família há mais de 20 anos. Começou improvisando uma barraca de lona em um pequeno trailer e, aos poucos, foi estruturando o espaço. Hoje, o local lembra uma casa de campo à beira da praia. “Nosso filho nasceu aqui no camping, se criou com os amigos, fez amizades, assim como a gente. É pertinho da capital, tem fácil acesso à praia, mas também dá para ficar aqui na lagoa, na piscina, nesse ar fresco que encanta. A gente gosta muito”, conta. Andrea Franzen e o filho Bernardo já se acostumaram a passar os verões em um camping no Litoral Norte do RS Raí Quadros/Agência RBS Mesmo depois de adulto, o filho Bernardo, de 19 anos, segue passando o verão no camping com a mãe. Ele trabalha em home office e encontrou uma forma diferente de conciliar rotina profissional e lazer. “É uma experiência completamente diferente poder trabalhar aqui, com essa vista das árvores, sentindo o vento. Não tem comparação com ficar dentro de um escritório”, afirma. Para fugir do óbvio e atrair novos públicos, muitos campings também têm investido em atividades extras. Em outro espaço da região, aulas de kitesurf fazem parte da programação. A ideia surgiu da observação do potencial da lagoa, que tem águas rasas e seguras iniciantes. “O meu filho já conhecia o esporte, a gente conversou e resolveu tentar. A lagoa é apropriada, baixinha, dá para todas as idades”, explica a proprietária Sil Scarpari. Entre aventura e descanso, há quem tenha encontrado no camping um novo sentido para a vida. Aos 89 anos, Gustavo Pedro Maya mora no local há mais de duas décadas. O dia a dia inclui cuidar das plantas, conversar com os amigos e sentir a brisa da lagoa. “Há 23 anos eu vim morar nesse paraíso e aqui eu rejuvenesci. Antes eu era infeliz. Felicidade não dá para terceirizar. Cheguei aqui, fui muito bem acolhido e daqui não saio, a não ser num caixão”, diz, com bom humor. Rotina de Gustavo Pedro Maya no camping inclui cuidar das plantas e sentir a brisa da lagoa Raí Quadros/Agência RBS VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/02/15/memoria-afetiva-e-paz-na-natureza-o-que-leva-veranistas-a-escolherem-campings-em-vez-da-beira-da-praia.ghtml


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