Funcionários e precatórios puxaram gastos dos Correios em 2025; despesas aumentaram 37% enquanto receitas caíram 12%
24/04/2026
(Foto: Reprodução) correios, crise, entregas, encomendas
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Em 2025, as despesas gerais e administrativas dos Correios, que incluem parte do pagamento dos funcionários e precatórios, dívidas que precisam ser pagas por determinação da Justiça, atingiram R$ 6,3 bilhões, um crescimento de 37% em relação ao ano anterior, quando alcançaram R$ 4,6 bilhões.
Esse foi maior valor desde 2001, ano da demonstração financeira mais antiga disponibilizada pelos Correios na internet.
As receitas com a venda de serviços, como a entrega de encomendas, recuaram 12%, de R$ 18,9 bilhões em 2024 para R$ 16,7 bilhões para 2025.
O detalhamento dos números foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) na quinta-feira (23), após anúncio da estatal de um prejuízo financeiro de R$ 8,5 bilhões em 2025, fechando 14 trimestres seguidos com resultados negativos.
O resultado superou em mais de três vezes o prejuízo registrado em 2024, que foi de R$ 2,4 bilhões.
O que mais pesou no ano passado?
As duas despesas que mais impactaram o caixa dos Correios foram o pagamento de funcionários administrativos, que aumentou R$ 215 milhões entre 2024 e 2025, e os custos com os processos perdidos na Justiça pela estatal, já no formato de precatório, saindo de R$ 1,1 bilhão em 2024 para R$ 2,5 bilhões no período.
Assim, as despesas gerais e administrativas, que são os gastos indiretos para que a empresa funcione, atingiram R$ 6,3 bilhões em 2025, R$ 1,7 bilhão a mais do que em 2024.
🔎Precatório é uma ordem de pagamento; quando a Justiça obriga o município, o estado ou a União – neste caso, uma empresa estatal – a pagar uma dívida que tem com uma pessoa física ou jurídica.
'Taxa das blusinhas'
As receitas repetiram comportamento que vem sendo observado após o governo federal lançar em 2023 o programa Remessa Conforme, caíram principalmente por conta da queda da prestação de serviço de transportes de encomendas internacionais.
O programa passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre todas as compras internacionais de até US$ 50, que até então estavam isentas. A medida ficou conhecida como "taxa das blusinhas".
Em 2024, a estatal tinha registrado uma receita de R$ 3,9 bilhões com encomendas internacionais, já com uma redução de R$ 530 milhões em relação a 2023.
Em 2025, o valor despencou para R$ 1,3 bilhão, R$ 2,6 bilhões a menos que o ano anterior. Com isso, a receita com esse tipo de produto, que chegou a representar 22% do todo em 2023, hoje representa apenas 7,8%.
Um documento produzido pela Diretoria Econômico-Financeira (Diefi) da instituição aponta que a criação do programa "Remessa Conforme" escancarou os problemas econômico-financeiros da empresa.
"A redução da participação de mercado no segmento de encomendas internacionais, que até agosto de 2024 representava uma espécie de “monopólio” para os Correios, evidenciou a ausência de reposicionamento negocial da Empresa, diante das transformações do comportamento da sociedade", diz o documento.
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Despesas com pessoal
Além do aumento nos precatórios a pagar, em função de derrotas na Justiça, outro fator que impacta diretamente a situação dos Correios são os gastos com os funcionários da empresa, seja os carteiros que estão nas ruas ou a parte administrativa.
Apenas nos últimos quatro anos, a empresa viu os gastos com pessoal saltarem 31,25%, saindo de R$ 11,1 bilhões em 2022 para R$ 14,6 bilhões em 2025.
Por outro lado, a atual gestão do presidente Emmanoel Rondon conseguiu reduzir os gastos com a remuneração do pessoal chave da administração da estatal. A redução nos gastos com a diretoria executiva foi de quase R$ 857 mil.
Empréstimos
As demonstrações financeiras também dão transparência ao contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões tomado pelos Correios junto a um sindicato de bancos no final de 2025.
Entre as novidades sobre o contrato, está a taxa de juros na qual ele foi negociado, 1,89% ao ano mais a taxa DI referenciada. Além disso, os Correios tiveram que pagar R$ 240 milhões em taxa de contratação.
Com isso, a expectativa da estatal é que os juros totais incorridos na contratação do empréstimo sejam de R$ 22,4 bilhões.
O acordo tem validade até 2040 e conta com garantia da União, o que significa que o governo federal dá respaldo à operação e reduz o risco para as instituições financeiras que concederam o crédito.
Além disso, o contrato prevê um prazo de carência de 3 anos e pagamentos mensais a partir de dezembro de 2029.
Parte do valor do empréstimo recebido foi também para quitar os outros empréstimos que a estatal tinha tomado com bancos entre dezembro de 2024 e junho de 2025, no valor de R$ 2,3 bilhões. Além de pagar o que foi emprestado, a empresa ainda pagou R$ 422 milhões em juros. Todos eles foram quitados até janeiro de 2026.
Os Correios começaram o ano de 2025 com dois empréstimos a pagar até o final do ano no valor de R$ 550 milhões, tomados ainda pela gestão do ex-presidente Fabiano Silva dos Santos, para aliviar ajudar o caixa da empresa a quitar despesas de final de ano, como o salário e o décimo terceiro dos funcionários.
Em junho, ainda sem conseguir uma solução para a falta de liquidez da empresa, Fabiano tomou um novo empréstimo com um grupo de bancos no valor de R$ 1,8 bilhões. Entretanto, uma cláusula do contrato bloqueou o dinheiro que a estatal teria a receber por meio do faturamento na prestação de seus serviços, durante o segundo trimestre de 2025.
A cláusula previa estabilidade no estoque de precatórios a pagar pelos Correios.
Entretanto, em função da necessidade de reconhecimento de novas perdas com processos judiciais durante o ano, a quantidade aumentou e a garantia foi acionada.
Até para conseguir reverter a situação, a nova administração da estatal renegociou o contrato para conseguir liberar a receita enquanto não finalizava o acordo para a tomada de um novo empréstimo, no valor de R$ 12 bilhões. Isso gerou um custo adicional de R$ 45 milhões.