Flávio Bolsonaro e produtores do filme sobre Jair Bolsonaro apresentam versões diferentes para dinheiro enviado por Vorcaro
14/05/2026
(Foto: Reprodução) Flávio Bolsonaro e produtores do filme sobre ex-presidente apresentam versões diferentes sobre uso do dinheiro de Vorcaro
Depois da revelação sobre a troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, o senador e produtores do filme sobre Jair Bolsonaro apresentaram versões diferentes para o destino do dinheiro enviado pelo dono do Master.
Na quarta-feira (13), o site Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PL, cobrou de Daniel Vorcaro repasses de dinheiro para a produção de um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e que parte dos pagamentos foi feita por meio de uma empresa chamada Entre Investimentos. O acordo total previa um repasse de R$ 124 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente enviados por Vorcaro.
A empresa faz parte do grupo Entre. Em março de 2026, o BC liquidou extrajudicialmente a Entrepay e outras empresas do grupo. A Polícia Federal e o Banco Central investigam a suspeita de que Daniel Vorcaro seja o verdadeiro dono da Entre Investimentos.
Na quarta-feira (13), em nota, a Go Up Entertainment, produtora do filme, disse que "dentre os mais de uma dezena de investidores do longa-metragem, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário".
Também na quarta-feira (13), o deputado federal Mario Frias, do PL, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro e produtor executivo do filme, afirmou que "não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em 'Dark Horse'".
Mas no áudio enviado por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, em 8 de setembro de 2025, quando o Master já estava sendo investigado, o senador cobra dinheiro do banqueiro para o filme, dizendo até que havia muita conta para pagar e risco de paralisação da produção:
“Apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas enfim, é porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou para o filme, né? Imagina a gente dando calote em um Jim Caviezel (ator), em um Cyrus (Nowrasteh, diretor do filme), os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim. Todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme pode ter o efeito elevado a menos um aí, cara. Então, se você puder me dar um toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que que faz, cara, da vida, porque eu... Tem muita, já tem muita conta para pagar esse mês e o mês seguinte também. E agora que é a reta final que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara”.
Flávio Bolsonaro e produtores do filme sobre Jair Bolsonaro apresentam versões diferentes para dinheiro enviado por Vorcaro
Jornal Nacional/ Reprodução
No vídeo que divulgou depois da revelação dos diálogos, Flávio Bolsonaro reconheceu que Daniel Vorcaro estava financiando o filme sobre o pai e disse que havia um contrato com o banqueiro.
Nesta quinta-feira (14), em nova manifestação, o deputado Mario Frias afirmou que "não há contradição material entre os posicionamentos públicos sobre o financiamento do projeto, mas uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento". Disse que quando afirmou anteriormente que não há “um centavo do Master” no filme, referia-se ao fato de que "Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora"; e que o "relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta".
De acordo com o Intercept, a Entre Investimentos enviou US$ 2 milhões para um fundo ligado à produção do filme. O Havengate Development Fund está registrado nos Estados Unidos. O fundo tem como administrador Paulo Calixto, advogado do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal vai investigar os repasses de Vorcaro e se os recursos foram usados para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Caminho do dinheiro
O órgão do Ministério da Fazenda responsável por combater crimes financeiros identificou que a empresa Entre Investimentos recebeu R$ 160 milhões de fundos ligados ao Banco Master. A empresa foi a intermediária nos repasses de Vorcaro para o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Master: relatório de inteligência financeira do Coaf
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A informação está em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, sobre empresas ligadas ao Banco Master e que tiveram algum tipo de relação com a Entre Investimentos e Participações. Segundo esse relatório de inteligência financeira do Coaf, a maior parte dos repasses de empresas ligadas ao Master para a Entre - quase R$ 140 milhões - veio da Sefer Investimentos, alvo na segunda fase da Operação Compliance Zero, em janeiro de 2026, por ter relações com Vorcaro. Outros R$ 20 milhões, de acordo com os dados, vieram do fundo Gold Style, administrado pela Reag, também ligada a Daniel Vorcaro. Esse fundo movimentou quase R$ 1 bilhão de empresas apontadas pela Polícia Federal como parte do esquema de lavagem de dinheiro do PCC no mercado financeiro. Os registros mostram que a Entre Investimentos mandou R$ 87 milhões para a RMD Instituição de Pagamento, que também é suspeita de operar para o PCC.
A Entre é considerada pelos investigadores da Polícia Federal uma peça fundamental na engrenagem financeira montada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
O grupo Entre disse, em nota, que "realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro e reforçou seu compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento da legislação vigente, permanecendo à disposição das autoridades competentes sempre que necessário".
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