EUA iniciam investigações comerciais que podem abrir caminho para novas tarifas
11/03/2026
(Foto: Reprodução) O presidente dos EUA, Donald Trump
REUTERS/Nathan Howard
O governo do presidente Donald Trump abriu nesta quarta-feira (11) uma nova investigação comercial contra 16 grandes parceiros dos Estados Unidos por suposto excesso de produção, em um movimento que pode abrir caminho para novas tarifas.
A medida é vista como uma forma de retomar a pressão por um novo tarifaço depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou, no mês passado, a principal base legal das tarifas aplicadas pelo republicano.
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O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, disse que a investigação sobre práticas comerciais consideradas desleais, com base na chamada "Seção 301", pode levar à aplicação de novas tarifas sobre produtos da China, da União Europeia, da Índia, do Japão, da Coreia do Sul e do México nos próximos meses.
Outros parceiros comerciais sujeitos à investigação de excesso de capacidade incluem Taiwan, Vietnã, Tailândia, Malásia, Camboja, Cingapura, Indonésia, Bangladesh, Suíça e Noruega. O Canadá, o segundo maior parceiro comercial dos EUA, não foi mencionado como alvo da investigação.
"Portanto, essas investigações se concentrarão em economias que, segundo nossas evidências, parecem apresentar excesso estrutural de capacidade e produção em vários setores de manufatura, como, por exemplo, por meio de superávits comerciais maiores e persistentes ou capacidade subutilizada ou não utilizada", disse Greer a repórteres em uma teleconferência.
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Investigação de trabalho forçado
Greer também disse que, nesta quinta-feira, iniciará outra investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, destinada a proibir a importação para os EUA de produtos feitos com trabalho forçado. A investigação envolve mais de 60 países.
Os EUA já restringiram a importação de painéis solares e outros produtos da região de Xinjiang, na China, com base na Lei de Proteção ao Trabalho Forçado Uigur, sancionada pelo ex-presidente Joe Biden. A nova investigação pode ampliar essas medidas para outros países.
Greer disse que gostaria que outros países também adotassem proibições semelhantes às dos EUA contra produtos feitos com trabalho forçado, previstas em uma lei comercial americana de quase um século.
Os EUA afirmam que autoridades chinesas criaram campos de trabalho para uigures e outros grupos muçulmanos na região ocidental de Xinjiang. O governo chinês nega as acusações de abusos.
Greer disse que espera concluir as investigações da Seção 301, incluindo as propostas de solução, antes que as novas tarifas temporárias impostas por Trump no final de fevereiro expirem em julho.
Depois que a Suprema Corte considerou ilegais, em 20 de fevereiro, as tarifas globais de Trump com base em uma lei de emergências nacionais, o presidente aplicou uma tarifa de 10% por 150 dias sob a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.
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Trump definiu um cronograma rápido para a investigação do excesso de capacidade, com comentários públicos aceitos até 15 de abril e uma audiência prevista para cerca de 5 de maio.
O republicano estabeleceu um cronograma rápido para a investigação do excesso de capacidade, com comentários públicos aceitos até 15 de abril e uma audiência pública programada para por volta de 5 de maio.
Greer afirmou que as novas investigações, já anunciadas há algum tempo por autoridades do governo, não devem surpreender os parceiros comerciais e que eles devem cumprir seus acordos.
Ele ressaltou, porém, que isso não significa que esses países ficarão imunes a todas as novas tarifas previstas na Seção 301.