Caso Benício: Coren-AM diz que registro de técnica de enfermagem investigada está suspenso
05/02/2026
(Foto: Reprodução) Caso Benício: perícia aponta que o sistema não altera a via de administração sozinho
O Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM) informou, por meio de nota, que o registro profissional da técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia, investigada no caso envolvendo a morte do menino Benício Xavier, no Hospital Santa Júlia, está suspenso. Uma consulta recente ao sistema do conselho mostrava que o registro da técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia ainda aparecia como “ativo”.
Benício morreu em 23 de novembro, após receber adrenalina na veia durante atendimento hospitalar. De acordo com a investigação, a via e a dosagem prescritas não eram indicadas para o quadro clínico da criança. Após a aplicação, o menino sofreu múltiplas paradas cardíacas e não resistiu.
Apesar de uma consulta recente ao sistema indicar que o registro da técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia constava como “ativo” no site da instituição, o cadastro já foi devidamente atualizado para refletir a suspensão.
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Uma decisão judicial de dezembro de 2025 determinou a suspensão do exercício profissional tanto da técnica de enfermagem, quanto a médica Juliana Brasil Santos, por um ano.
De acordo com o conselho, a medida foi adotada no âmbito do processo ético instaurado para apurar o caso. A suspensão cautelar do exercício profissional segue a legislação vigente e já foi publicada no Diário Oficial.
O órgão destacou que todas as apurações seguem o devido processo legal e o caráter sigiloso previsto na Resolução do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) nº 706/2022. O caso segue em apuração no âmbito do processo ético-disciplinar.
Raiza Bentes Praia foi suspensa do exercício profissional pelo Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas
Divulgação
O caso
Caso Benício: erros em série causaram morte de menino de 6 anos com dose de adrenalina
Segundo o pai, Bruno Freitas, o menino foi levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. Ele contou que a médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos.
A família disse ao g1 que chegou a questionar a técnica de enfermagem ao ver a prescrição. De acordo com Bruno, logo após a primeira aplicação, Benício apresentou piora súbita.
“Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Nós perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa. Falou que estava na prescrição e que ela ia fazer”, relatou o pai.
Após a reação, a equipe levou a criança para a sala vermelha, onde o quadro se agravou. A oxigenação caiu para cerca de 75%, e uma segunda médica foi acionada para iniciar o monitoramento cardíaco. Pouco depois, foi solicitado um leito de UTI, e Benício foi transferido no início da noite de sábado.
Na UTI, segundo o pai, o quadro piorou. A equipe informou que seria necessária a intubação, realizada por volta das 23h. Durante o procedimento, o menino sofreu as primeiras paradas cardíacas.
O pai relatou que o sangramento ocorreu porque a criança vomitou durante a intubação. Após as primeiras paradas, o estado de Benício continuou instável, com oscilações rápidas na oxigenação. Minutos depois, Benício apresentou nova piora e não respondeu às manobras de reanimação. Ele morreu às 2h55 do domingo.
“Queremos justiça pelo Benício e que nenhuma outra família passe pelo que estamos vivendo. O que a gente quer é que isso nunca mais aconteça. Não desejamos essa dor para ninguém”, disse o pai.
Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que uma médica e uma técnica de enfermagem foram afastadas de suas funções e realizou uma investigação interna pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente.
Infográfico - Caso Benício
Arte g1