Cabine em chamas, explosão súbita e desintegração: o que aconteceu nas missões fatais da Nasa

  • 12/04/2026
(Foto: Reprodução)
Após dez dias no espaço, a missão Artemis II voltou à Terra nesta sexta-feira (10), reforçando uma trajetória de avanços na exploração espacial — mas também de episódios trágicos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Responsável pelo voo, a Nasa é a mesma agência que colocou o homem na Lua seis vezes desde 1969, começando pela Apollo 11. Apesar do grande sucesso, a instituição também viu, ao longo das décadas, três de suas missões transformarem avanços em tragédia e exporem os riscos da exploração espacial. Veja abaixo: Apollo 1 (1967) Vista em close do interior da cápsula de comando da Apollo S/C 012, na Plataforma 34, mostrando os efeitos do calor intenso do incêndio repentino que matou a tripulação principal da missão A/S 204. Cabo Kennedy, Flórida. Reprodução/Nasa A primeira das missões que, mais tarde, levariam o homem à Lua não chegou a decolar rumo ao espaço. Na verdade, um incêndio durante um ensaio de lançamento acabou matando os três astronautas que compunham a missão, Gus Grissom, Ed White e Roger Chaffee. Em 27 de janeiro de 1967, a tripulação se posicionou na cabine para a realização de um teste de rotina na base de Cabo Canaveral, na Flórida. O teste acumulava problemas técnicos desde o início. Havia falhas na comunicação, defeitos na fiação e problemas no controle de qualidade. O próprio Grissom, comandante da missão, demonstrava irritação. Em um momento de frustração, chegou a dizer: "Como nós vamos chegar à Lua se não conseguimos conversar entre dois ou três prédios?" LEIA TAMBÉM: É #FAKE que fotos coloridas da Lua foram feitas por astronautas da Artemis II; imagens passaram por edição para destacar minerais O que astronautas da Artemis 2 trazem de viagem à Lua: 'A parte boa está voltando com a gente' Dentro da cápsula, o ambiente também contribuía para o risco. A cabine estava pressurizada com oxigênio puro — prática comum na época —, o que tornava qualquer faísca potencialmente devastadora. Em poucos segundos, as chamas tomaram conta do módulo de comando. O ambiente altamente inflamável e a presença de materiais combustíveis dentro da cápsula contribuíram para a intensidade do incêndio. Sem tempo de reação, os astronautas tentaram alertar a equipe em solo, mas, por conta das falhas de comunicação, não houve tempo para o resgate. Em um áudio do momento, é possível ouvir os astronautas avisando do fogo e pedindo resgate: "Chamas!". "Nós temos um incêndio no cockpit". "Nós temos um incêndio, vamos sair daqui". A resposta da cabine de controle demora segundos: "Tripulação, vocês conseguem sair neste momento?". Ninguém responde. Além de as chamas se alastrarem muito rapidamente, a porta da cápsula abria para dentro e, com o aumento da pressão interna causado pelo fogo, não era possível abrir. A tripulação não conseguiu escapar. Os três homens morreram rapidamente. A tragédia levou a uma ampla revisão nos protocolos da Nasa. O projeto da espaçonave foi reformulado, os padrões de segurança foram reforçados e o uso de oxigênio puro em testes no solo foi abandonado. Quem eram os astronautas: Astronautas da Apollo 1 Reprodução/Nasa Gus Grissom (comandante da missão): veterano dos programas Mercury e Gemini, foi o segundo americano a ir ao espaço e o primeiro a viajar duas vezes. Era um dos principais nomes da NASA e cotado para liderar uma missão à Lua. Ed White (piloto sênior): ficou conhecido por realizar a primeira caminhada espacial de um americano, durante a missão Gemini 4, em 1965. Roger Chaffee (piloto do módulo de comando): piloto da Marinha e novato no programa espacial participaria de sua primeira missão. Era considerado um astronauta promissor, com forte formação técnica. Challenger (1986) Aeronave Challenger explode no ar Em 1986, outro acidente com uma nave da Nasa marcou a história da exploração espacial. No dia 28 de janeiro, o ônibus espacial Challenger explodiu durante o lançamento, a partir do Kennedy Space Center, na Flórida, e matou todos os sete tripulantes da missão STS-51L. A tragédia ocorreu 73 segundos após a decolagem e a causa do acidente foi uma falha nos O-rings, anéis de vedação de borracha presentes nos foguetes auxiliares. As temperaturas extremamente baixas na manhã do lançamento comprometeram a flexibilidade do material, impedindo a vedação adequada. Com isso, gases quentes escaparam, atingiram o tanque de combustível e provocaram a desintegração da nave ainda no ar. Investigações posteriores mostraram que o desastre poderia ter sido evitado. Engenheiros da empresa Morton Thiokol alertaram na véspera que o lançamento não deveria ocorrer sob frio intenso, mas a recomendação foi ignorada após pressão de autoridades da Nasa e da própria empresa. O desastre da Challenger AP Photo/Bruce Weaver, Arquivo A explosão foi transmitida para todo o mundo e causou uma comoção maior pela presença de Christa McAuliffe, uma professora que foi escolhida para dar a primeira aula do espaço. Os pais, marido e filhos dela estavam na base assistindo ao lançamento. Na época, o Jornal Nacional repercutiu a explosão em uma reportagem. (Veja no vídeo acima). O caso levou a mudanças nos protocolos de segurança da Nasa e se tornou um símbolo dos riscos da exploração espacial e das consequências de falhas na tomada de decisão. Quem eram os astronautas: Tripulação da Challenger Reprodução/Nasa Francis R. (Dick) Scobee (comandante): Piloto da Força Aérea dos EUA, veterano da Guerra do Vietnã e astronauta desde 1978. Já havia participado de uma missão anterior do Challenger. Michael J. Smith (piloto): Oficial da Marinha dos EUA e piloto experiente. A missão do Challenger seria seu primeiro voo espacial. Judith A. Resnik (especialista de missão): Engenheira elétrica com doutorado, foi a segunda mulher americana no espaço e participou de missões com satélites e pesquisas científicas. Ronald E. McNair (especialista de missão): Físico com PhD pelo MIT, especialista em lasers. Foi o segundo astronauta negro a ir ao espaço. Ellison S. Onizuka (especialista de missão): Engenheiro e oficial da Força Aérea, foi o primeiro astronauta nipo-americano. Gregory B. Jarvis (especialista de carga): Engenheiro da indústria aeroespacial, participava da missão para realizar experimentos sobre foguetes de combustível líquido. Christa McAuliffe: Professora escolhida no programa “Teacher in Space”. Seria a primeira educadora a dar aulas do espaço. Columbia (2003) Ônibus espacial Columbia explode no céu O acidente do ônibus espacial Columbia foi o único desastre com fatalidades da Nasa em que os astronautas chegaram ao espaço. Isso porque a fatalidade ocorreu na volta da nave à Terra. Em 1º de fevereiro de 2003, o mundo parou para assistir à volta do Space Shuttle Columbia após uma missão. A nave, contudo, se desintegrou durante a reentrada na atmosfera, cerca de 16 minutos antes de pousar. Os sete astronautas que estavam a bordo morreram. Columbia Dr. Scott Lieberman/Associated Press A causa do desastre começou ainda no lançamento, em 16 de janeiro. Cerca de 82 segundos após a decolagem, um pedaço de espuma isolante do tanque externo se soltou e atingiu a asa esquerda da nave. Na época, o impacto não foi considerado crítico por engenheiros e gestores da Nasa, já que casos semelhantes haviam ocorrido em missões anteriores. Durante a reentrada, porém, o dano se mostrou fatal. A abertura na asa permitiu a entrada de ar superaquecido, que comprometeu a estrutura da nave. Sem controle, o Columbia se partiu sobre o estado do Texas, espalhando destroços por uma grande área. A missão, STS-107, era dedicada a experimentos científicos em microgravidade e vinha sendo considerada um sucesso até então. Durante 16 dias, os astronautas realizaram cerca de 80 pesquisas, muitas delas com aplicações futuras na Estação Espacial Internacional. Assim como no caso do Challenger, investigações apontaram falhas na tomada de decisão. Engenheiros chegaram a solicitar imagens mais detalhadas do dano na asa, mas o pedido foi negado. A comissão que apurou o acidente concluiu que problemas técnicos, aliados a uma cultura organizacional que minimizava riscos, contribuíram para a tragédia. O desastre do Columbia reforçou lições já vistas anos antes: a importância de ouvir alertas técnicos e de não subestimar riscos em missões espaciais, mesmo quando problemas semelhantes já ocorreram sem consequências graves. Quem eram os astronautas: Tripulação da STS-107 Reprodução/Nasa Rick D. Husband (comandante da missão): coronel da Força Aérea dos EUA e veterano do programa espacial. William C. McCool (piloto): oficial da Marinha americana em sua primeira missão espacial. Michael P. Anderson (comandante de carga útil): responsável pela coordenação dos experimentos científicos. Kalpana Chawla (engenheira e astronauta): primeira mulher nascida na Índia a ir ao espaço. Laurel B. Clark (médica e especialista de missão): atuava em pesquisas biológicas. David M. Brown (médico e piloto): também especialista de missão. Ilan Ramon (especialista de carga útil): primeiro astronauta de Israel, participante de experimentos internacionais. As missões da Nasa que terminaram em tragédias Reprodução/Nasa

FONTE: https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2026/04/12/cabine-em-chamas-explosao-subita-e-desintegracao-o-que-aconteceu-nas-missoes-fatais-da-nasa.ghtml


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