Assalto a banco, roubo de carga e agiotagem: quem é 'Leite Ninho', criminoso preso no ES que ostentava vida de luxo
05/02/2026
(Foto: Reprodução) Casal é preso por agiotagem e lavagem de dinheiro em Baixo Guandu
Bruno Soares Mendonça, de 37 anos, preso junto com a esposa durante uma operação nesta terça-feira (3), já foi considerado um dos maiores suspeitos de roubos a carga e bancos do país. Conhecido pelo apelido "Leite Ninho", também tem passagens pela polícia por agiotagem, golpes e lavagem de dinheiro.
A prisão desta semana aconteceu em Baixo Guandu, no Noroeste do Espírito Santo, na casa de luxo onde Bruno e a esposa, Bárbara Alves Foeger, de 34 anos, vivem.
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Durante a operação, batizada de Castelo de Areia, também foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão em Baixo Guandu, Colatina, Serra, Cariacica, Vila Velha e Guarapari, no Espírito Santo, e em Aimorés, Minas Gerais.
Defesa diz que prisão é temporária
A defesa de Bruno e Bárbara afirmou em nota que a prisão decretada tem caráter temporário e está "relacionada a fatos antigos, considerados extemporâneos, com base em supostas movimentações financeiras ocorridas entre 2022 e 2024".
Os advogados também criticaram a medida e disseram que ela foi adotada sem a presença dos requisitos legais, já que, segundo a defesa, todas as provas citadas pela investigação já estavam produzidas e não haveria risco de interferência, ocultação ou comprometimento por parte dos investigados.
Para a defesa, a decisão é prematura e não há situação concreta que justifique a adoção de uma medida considerada grave neste momento.
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Bruno Soares Mendonça, 37 anos, foi preso em 2022 suspeito de chefiar um furto a banco no Espírito Santo
Reprodução/ Polícia Civil
Primeira prisão foi por furto a banco
Bruno foi preso pela primeira vez em fevereiro de 2022, na Reta da Penha, uma das avenidas mais movimentadas de Vitória. Na época, ele ficou foragido por 3 anos e após ser apontado como líder da quadrilha que furtou R$ 600 mil de uma agência do Banco do Brasil, em Guarapari.
Durante a prisão, a polícia chegou a afirmar que Bruno e o outro homem que estava com ele planejavam outro roubo a banco. Isso porque os militares encontraram ferramentas que são usadas em crimes desse tipo, como máquina de solda.
Após a operação desta terça, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 70 milhões em bens e valores suspeitos movimentados por Bruno, a esposa desde 2018. A Polícia Civil investiga o envolvimento de outras pessoas nos esquemas do casal.
"Ele age de forma tranquila, ele não exterioriza um fator de criminoso nato. Ele é tranquilo, ele vive sem chamar a atenção. Eles estavam andando tranquilamente e poderiam, certamente, estar planejando um novo crime", disse o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, durante uma entrevista em fevereiro de 2022.
Bloqueio de bens e nova prisão
Durante a operação, foram apreendidas três armas de fogo, diversas munições, R$ 42,3 mil em dinheiro, veículos de luxo, como uma BMW X4 avaliada em cerca de R$ 400 mil e uma SW4 blindada, além de joias, celulares e equipamentos eletrônicos.
Também foram recolhidas mais de 1.500 notas promissórias, cheques e documentos financeiros. Dois imóveis de alto padrão tiveram o bloqueio determinado pela Justiça.
Casal é preso por agiotagem e lavagem de dinheiro em Baixo Guandu, Espírito Santo
Divulgação/PCES
Investigações
A investigação começou em 2024, após a polícia identificar que o casal ostentava uma vida incompatível com a renda declarada, com imóveis e veículos de luxo.
Segundo a polícia, Bruno não tinha ocupação formal. Já Bárbara dizia ser dona de uma clínica de estética, que, de acordo com a investigação, funcionava como empresa de fachada.
Crimes mudaram ao longo dos anos
Segundo a polícia, Bruno abandonou crimes violentos, como roubo a banco e roubo de cargas, e passou a atuar em fraudes financeiras estruturadas, com foco na ocultação e dissimulação de patrimônio.
"Ele praticou diversos crimes violentos, como roubo a carga, com restrição de liberdade da vítima. Hoje, a prática dele é mais voltada a crimes menos violentos fisicamente, mas mais agressivos à atividade financeira e à sociedade. Após as práticas ilícitas, ele tentou investir em empresas de fachada e adquirir imóveis e veículos de luxo para dissimular esses valores", afirmou o delegado Anderson Pimentel.
Casal é preso por agiotagem e lavagem de dinheiro em Baixo Guandu, Espírito Santo
Divulgação/PCES
Atualmente, segundo a polícia, o casal passou a atuar em práticas como agiotagem, extorsão e fraudes.
Pelo menos dois roubos de veículos teriam sido forjados para o recebimento de seguro. A polícia afirma que Barbara participava ativamente dessas ações.
No esquema de agiotagem, imóveis e veículos eram usados como garantia nos empréstimos ilegais.
Bloqueio de R$ 70 milhões
Segundo a Polícia Civil, o valor de R$ 70 milhões corresponde à movimentação financeira considerada suspeita ao longo da investigação, com base em relatórios de órgãos de controle.
"Esse montante representa valores movimentados de forma incompatível com a renda declarada. O valor efetivamente bloqueado só será confirmado após o retorno das instituições financeiras", afirmou o delegado.
O dinheiro poderá, ao final do processo, ser repatriado ao Estado, caso a origem ilícita seja comprovada.
Inquérito segue em andamento
O inquérito apura os crimes de organização criminosa e lavagem de capitais, além de possíveis delitos como falsidade ideológica, fraude contra seguradoras e posse irregular de munição.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos e mapear novas ramificações do esquema.
Bruno Soares Mendonça, 37 anos, e Barbara Alves, 34 anos, presos por agiotagem e lavagem de dinheiro, em Baixo Guandu, Espírito Santo
Reprodução
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