'As pessoas não sabem o que é conviver com autista', desabafa mãe de menino que caiu do 10º andar
04/02/2026
(Foto: Reprodução) 'Não sabem o que é conviver com autista', desabafa mãe de menino que caiu do 10º andar
Depois do susto que quase tirou a vida do filho, Paloma tenta agora lidar com outra dor: o julgamento. Mãe de Brenno, menino autista não verbal de 4 anos que caiu do décimo andar de um prédio em Ribeirão Preto, ela relata que as críticas após o acidente foram mais cruéis do que imaginava.
“As pessoas não medem o que falam, não sabem o que é conviver com autista. Brenno não tem amigo na escola, nunca foi chamado para um aniversário".
Ela afirma que a família vive em atenção constante.
“Sempre atenção com o Breno, 24 horas. Ele nunca quebrou um braço. Mas o julgamento sempre vem”, diz.
A mãe admite que também enfrenta sua própria culpa.
“O pior julgamento é o meu. Eu me culpo. Eu não durmo mais.”
Ainda assim, não quer viver alimentando essa energia e agradece o apoio recebido.
“Eu tenho que agradecer demais, porque foram muitas bolsas de sangue que doaram, sabe? Muitas orações”.
Paloma deixa um recado às outras famílias:
“Coloquem tela nos banheiros. As pessoas não sabem do que uma criança é capaz.”
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Fantástico/ Reprodução
O acidente
Tudo aconteceu dia 27 de dezembro de 2025. Brenno, que é autista não verbal, caiu da janela de um banheiro do apartamento que fica no 10º andar do prédio em que mora com a família em Ribeirão Preto (SP).
“Ele realmente foi escalando, porque tinha marca aqui de pé, de pezinho sujo”, lembra Paloma.
Sete minutos depois de ligarem para o Samu, a ambulância chegou ao prédio.
“Me mandaram mensagem e falaram: ‘Ah, uma criança caiu de 10 metros’. Nossa, 10 metros, né? Muito alto. Aí mais tarde, já falaram: ‘Não, foi do 10º andar’. Então, eu pensei: nossa, muito pior”, conta a ortopedista pediátrica Caroline Marconatto Flores.
Os médicos examinaram Brenno. A cabeça tinha um trauma leve, mas estava intacta. Pulmão, uma pequena lesão, nada grave. Coluna preservada.
“Realmente era mais membros inferiores. Ele fraturou fêmur dos dois lados e nas tíbias ali na perna. Ele fraturou as duas também”, conta ortopedista pediátrica Caroline Marconatto Flores.
Primeiro, Brenno colocou fixadores externos para ligar e alinhar os ossos quebrados. Depois, fez mais duas cirurgias. Uma delas para colocar pinos e placas.
Como é que pode Brenno ter caído do 10º andar, despencar de uma altura de uns 30 metros, e ter sobrevivido? Algumas coisas que aconteceram ajudaram demais. Uma criança com o peso e a altura do Brenno, ao cair do 10º andar, chegaria ao térreo a uma velocidade de aproximadamente 85 km/h. Uma professora de ciências forenses da USP fez esses cálculos. Acontece que, no caso do Brenno, a velocidade pode ter sido menor. Ele não caiu direto no chão, segundo a polícia.
“Na hora que ele caiu, bateu na janela que estava aberta”, conta Carlos Daniel Fernandes, pai de Brenno.
Depois, Brenno bateu em um corrimão.
“Ao ele ir parando e amortecendo, acaba diminuindo a velocidade da queda”, explica a ortopedista pediátrica Caroline Marconatto Flores.
Médicos explicam o que levou menino de 4 anos a sobreviver após cair do 10º andar de prédio
Fantástico/ Reprodução
O hospital para onde Brenno foi levado fica a uma quadra de distância do prédio da família. Foi um socorro rápido, feito por uma equipe especializada, e o hospital, além de tudo, é uma unidade de referência.
“Ele não precisou ser transferido para outro lugar para fazer cirurgia. Muitos fatores positivos assim que contribuíram para a recuperação”, afirma ortopedista pediátrica Caroline Marconatto Flores.
Tem mais uma coisa que está contando a favor da recuperação do Brenno: a idade dele.
“A criança tem um osso diferente do adulto, ainda em formação. A gente consegue, muitas vezes, contar com um remodelamento ósseo”, explica o ortopedista pediátrico Pedro Francisco Moreno.
O caso foi registrado como acidente, e um laudo pericial está em elaboração para entender a dinâmica da queda.
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
Família celebra recuperação do menino Brenno um mês após queda do 10º andar
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