Artesão de 79 anos produz gibão de couro no interior do Piauí e preserva tradição; vídeo
14/05/2026
(Foto: Reprodução) Artesão de 79 anos produz gibão de couro no interior do Piauí e preserva tradição
Há cerca de quatro décadas, o artesão Carlisto Vieira mantém viva a tradição de confeccionar o gibão, vestimenta usada por vaqueiros no sertão. Aos 79 anos, ele segue no ofício aprendido ainda na adolescência e produz manualmente os itens ligados à cultura nordestina.
Morador de União, cidade localizada a cerca de 64 quilômetros de Teresina, Carlisto dedica a rotina à produção do terno de couro, guarda-peito, perneiras, chapéu e outras peças que ajudam a proteger o corpo durante cavalgadas em áreas de mata fechada.
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“Desde adolescente eu trabalho com artesanato de couro, fazendo peças para o cavalo e para o vaqueiro correr na mata”, contou.
Ao mostrar uma das peças, o artesão explicou a utilidade do guarda-peito. “É uma defesa do corpo do vaqueiro. Às vezes ele entra no mato e precisa dessa proteção para correr atrás do boi. Tem muito espinho e galho que pode machucar”, disse.
Segundo Carlisto, o chapéu também tem papel importante no vestuário tradicional. “A função dele é defender a cabeça do vaqueiro e deixar a roupa completa”, afirmou.
Na produção, ele utiliza principalmente couro de carneiro, mas também trabalha com couro de boi e outros materiais, dependendo da encomenda e da disponibilidade.
Antes de virar roupa ou acessório, o couro passa pelo processo de curtimento, tratamento que torna o material mais resistente, flexível e durável. Depois disso, Carlisto inicia o corte, o acabamento e a costura em máquina própria para couro.
Uma semana para concluir uma peça
De acordo com o artesão, a produção de um conjunto completo exige tempo e atenção aos detalhes. Algumas peças maiores levam mais tempo para ficar prontas.
“O que demora mais é a peça maior. Para fazer um terno desses, demora cerca de uma semana”, relatou.
Mesmo após décadas de trabalho, Carlisto segue firme no ofício e preserva uma atividade que atravessa gerações no Nordeste. Para ele, cada peça produzida carrega história, resistência e a identidade do homem do campo.
"Estamos representando a população de União", contou.
Artesão Carlisto Vieira, de 79 anos
Ananda Soares/g1
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