Após morte, dono de academia pediu a manobrista que limpava piscina para ‘sair de casa’ por causa da polícia, diz depoimento

  • 10/02/2026
(Foto: Reprodução)
Manobrista que manipulou produtos químicos presta depoimento O manobrista da academia Severino José da Silva, de 43 anos, responsável pela manutenção da piscina em que a aluna de natação Juliana Faustino Bassetto morreu disse à polícia que o proprietário do local ligou para ele no domingo (8) e o alertou sobre as investigações: “Vai, sai de casa que a polícia está batendo na porta de todo mundo”. No sábado (7), a professora Juliana, de 27 anos, morreu após fazer uma aula de natação. Outros cinco alunos, incluindo um adolescente e o marido dela, também apresentaram sinais de intoxicação. Severino prestou depoimento na manhã desta terça-feira (10) no 42° Distrito Policial do Parque São Lucas, que investiga o caso. Os donos da academia também são esperados para prestar esclarecimentos. O funcionário afirmou à polícia que, assim que percebeu que as pessoas estavam passando mal no sábado (7), tentou entrar em contato com o dono do estabelecimento, que se chama Celso, mas não obteve resposta. Segundo ele, o retorno só ocorreu às 14h11, quando a academia já havia sido esvaziada. Ao relatar o ocorrido, o proprietário, que se chama Celso, teria respondido apenas: “Paciência”. A ligação teria ocorrido às 10h30 do dia seguinte. A principal suspeita das autoridades é que a manipulação de produtos químicos próximo à área de aula pode ter afetado as pessoas, já que o espaço é fechado e tem pouca ventilação. Depoimento do manobrista da academia Severino José da Silva, de 43 anos, à polícia Reprodução/TV Globo Após o depoimento, Severino falou rapidamente com a imprensa, ao lado da advogada. "Tenho a declarar que sou funcionário da empresa, sigo ordens, e meu celular foi apreendido para averiguações. É isso que tenho para falar no momento.". A defesa do sócio da academia não foi localizada até a última atualização da reportagem. Manobrista se apresenta no 42° Distrito Policial. Reprodução/TV Globo Sem preparo técnico e sem EPI Ainda segundo o depoimento, obtido pela TV Globo, Severino trabalha há cerca de três anos na academia, com registro em carteira como manobrista, mas contou que também era responsável por abrir a unidade e realizar a manutenção das piscinas. O acúmulo de funções era determinado por Celso, que orientava o uso de produtos químicos por mensagens, a partir de fotos enviadas com os testes da água. LEIA MAIS: O que se sabe sobre caso de aluna morta após aula de natação Morte de professora acende alerta sobre riscos ; veja sinais de perigo Prefeitura de SP inicia processo de cassação de licença de academia À polícia, Severino afirmou que nunca recebeu treinamento, habilitação técnica ou equipamentos de proteção individual (EPIs) para manusear produtos químicos, apesar de realizar a manutenção rotineira da piscina. Disse ainda que essa falta de preparo era de conhecimento do proprietário. Ele relatou que aprendeu o procedimento com o antigo manobrista da academia, que já executava a mesma função. A rotina consistia em medir os níveis da água, fotografar o resultado e enviar a imagem a Celso, que indicava quais produtos deveriam ser aplicados e em qual quantidade. Imagens mostram funcionário com produtos químicos em piscina que mulher morreu em SP Água turva e aplicação de cloro De acordo com o depoimento, na quinta-feira anterior ao incidente, Severino percebeu que a água da piscina estava turva e comunicou ao proprietário. Na sexta-feira, após a última aula de natação, recebeu ordem para aplicar apenas cloro na piscina grande. No sábado, a água continuava com aparência turva. Mesmo com alunos dentro da piscina, Celso teria solicitado nova testagem e orientado a aplicação de seis a oito medidas do produto HIDROALL Hiperclor 60. Severino afirmou que não chegou a despejar o produto diretamente na piscina. Segundo ele, preparou a solução em um balde com água da própria piscina, adicionou seis medidas de cloro e deixou o recipiente próximo à área da piscina, a cerca de dois metros da borda, antes de retornar ao trabalho como manobrista. Não há informação se alguém chegou a jogar o produto na piscina. Morte em academia: dono teria apagado mensagens orientando funcionário sobre uso de químicos na piscina, diz delegado Cerca de dez minutos depois, o funcionário percebeu uma movimentação incomum na academia e sentiu forte cheiro de cloro. Ele relatou ter visto uma mulher sentada na recepção, amparada pelo marido, e um pai socorrendo o filho adolescente. Os professores foram avisados e retiraram os alunos da piscina. O próprio Severino disse ter apresentado dificuldade respiratória e irritação na garganta e nos olhos. Socorro e evacuação Uma viatura da Guarda Civil Metropolitana que passava pela rua foi acionada para ajudar no socorro. A recepcionista da academia fez ligações para o Samu e para o Corpo de Bombeiros, mas, segundo o depoimento, nenhuma viatura compareceu ao local, e as vítimas foram socorridas por meios próprios. Após o atendimento, o funcionário retirou o balde com o produto químico da área da piscina e o levou para a área externa. A academia foi evacuada e fechada em seguida. O manobrista reforçou que o único produto aplicado por ele foi o HIDROALL Hiperclor 60, adotado recentemente por decisão do proprietário, que afirmou estar testando um novo tipo de cloro. Antes, era utilizado outro produto. Em seu depoimento, Severino disse ainda que há um ano, quando a piscina deu problema, um técnico fez o serviço para regularizar a situação da água. O profissional ofereceu os serviços permanentes, mas o dono na quis e optou por manter tudo sob responsabilidade de Severino. O que diz a academia Os advogados da academia renunciaram ao caso e, por ora, nenhum outro advogado da C4 Gym foi encontrado para falar sobre o caso. Nas redes sociais, a direção da academia “lamentou profundamente o ocorrido em sua unidade no último sábado (07/02) e informa que prestou imediato atendimento a todos os envolvidos e que mantém contato direto com alunos e familiares para oferecer todo o suporte necessário”. A empresa disse que está “colaborando integralmente com as autoridades competentes, contribuindo com todas as etapas da investigação em andamento”. Sobre a permissão de funcionamento, a empresa informou que possui Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), regularidade junto ao Conselho Regional de Educação Física (CREF) e alvará da Vigilância Sanitária válido desde 2023. Polícia de SP investiga intoxicação de alunos durante aula de natação em academia

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/02/10/apos-morte-de-aluna-dono-de-academia-pediu-a-manobrista-que-limpava-piscina-para-sair-de-casa-por-causa-da-policia-diz-depoimento.ghtml


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