A praia de SC que viralizou no TikTok e virou febre entre jovens argentinos

  • 21/02/2026
(Foto: Reprodução)
A praia de SC que viralizou no TikTok e virou febre entre jovens argentinos Um balneário de aproximadamente oito mil habitantes no Litoral Sul de Santa Catarina, que por muito tempo foi um reduto intocado de surfistas, viu seu público mudar nesta temporada após viralizar nas redes sociais (assista acima). A percepção de quem vive na Praia do Rosa, em Imbituba, é de que os jovens argentinos entre 18 e 22 anos são a maioria entre os turistas internacionais. Localizado a cerca de 90 km de Florianópolis, o reduto passou a dividir, nas primeiras semanas de janeiro, holofotes com a Capital catarinense — que viu a tradicional busca do público argentino diminuir no início do verão. Jovens são atraídos por: Vibe alternativa: ambiente menos comercial e mais autêntico. Contato com a natureza: paisagens preservadas e clima mais tranquilo. Destino acolhedor: reconhecimento como local convidativo. Câmbio favorável: custo-benefício mais vantajoso e voos mais acessíveis ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Uma das mais de 32 mil publicações com a hashtag #praiadorosa no Tiktok, plataforma onde a Praia do Rosa tem feito um sucesso particular, mostra uma jovem argentina jogada no chão, inconformada por ter que voltar para casa. "POV: Você tem que dizer adeus aos garotos da praia, aos garçons, às pessoas que conheci nas festas, ao barzinho do centro e aos argentinos de outras províncias que não verei mais", escreveu na legenda, em espanhol. A publicação, de janeiro, tem mais de 4,6 mil curtidas e 56 mil visualizações. Segundo Issaaf Karhawi, pesquisadora em comunicação digital e professora da USP, as redes sociais mudaram a forma como novos destinos de viagem são descobertos. O Tiktok, plataforma guiada por algoritmos que impulsionam conteúdos virais, por exemplo, passou a ocupar um lugar associado à autenticidade. "Lugares que aparecem como destinos turísticos tradicionais, no TikTok são experiências vividas em primeira pessoa, por criadores que se parecem muito comigo", explica. Dividida entre Rosa Norte e Rosa Sul, as características da praia mudam bastante ao longo da faixa de areia, influenciando tanto a experiência oferecida quanto o perfil do público que frequenta cada trecho: 🏄‍♀️ Rosa Norte: extremidade norte da praia. Tem ambiente mais rústico, ondas mais fortes e é ponto de partida para trilhas e piscinas naturais. A região também é bastante procurada para a prática de surfe e 'altinha'. 🍾 Rosa Sul: extremidade sul da praia. Oferece acesso mais fácil de carro, maior infraestrutura e atrai muitas famílias durante o dia. À noite, é também ali que os jovens se encontram para aproveitar bares e baladas. O coordenador do núcleo de Turismo da Associação Empresarial de Imbituba (ACIM), Cláudio Rosa, acredita que o interesse da geração Z — ou, "nativos digitais" — pela Praia do Rosa também está relacionado à divulgação do local em portais da Argentina, como La Nacion, que o definiu como "o destino preferido dos jovens argentinos", por exemplo. Já uma matéria do Diário Río Negro questiona no título: "Por que a Praia do Rosa está se tornando o destino favorito dos argentinos?". 🌹 A Praia do Rosa ganhou reconhecimento internacional como destino de surf e ecoturismo. O balneário oferece lagoas de águas calmas, trilhas que levam a mirantes, hospedagens charmosas e uma atmosfera que equilibra rusticidade e estilo. No verão, atrai turistas em busca de sol e agito; no inverno, se transforma em ponto para observação de baleias-francas. Praia do Rosa, em Imbituba (SC), faz sucesso nas redes sociais Redes sociais/ Reprodução Como a Praia do Rosa é retratada nas redes? Jovens bronzeados e sarados, festas descoladas e cantinhos escondidos, onde se chega apenas por trilha, são algumas das percepções dos turistas sobre a Praia do Rosa nas redes sociais. As publicações despertam curiosidade até mesmo de quem mora longe. Em um vídeo visto por mais de 13 mil usuários, uma argentina de 20 anos aparece caminhando pela região central do balneário, enquanto fala com a câmera. Ela menciona, bastante surpresa, que tem encontrado muitos conterrâneos na cidade. "É a primeira vez que vejo tantos argentinos na Praia do Rosa. Incrível. Encontrei gente da minha universidade em Buenos Aires, encontrei gente que estudou comigo quando eu era criança, nos subúrbios da zona oeste. É incrível. Tem tanta gente. Não consigo acreditar. E eu nem falo português, é tudo espanhol", diz, em espanhol. Mas os conteúdos de POV (Point of View, ou “ponto de vista”) são o formato mais frequente. Nesse tipo de vídeo, o criador encena uma situação como se o espectador estivesse dentro da cena, assumindo um papel específico. Entre as legendas recorrentes estão: “Argentinas na Praia do Rosa”: nesses vídeos, jovens brasileiras costumam mostrar o estilo de roupa das turistas, que costumam gostar de botas de cano longo e saias. “Abençoada seja a Argentina” ou “Você chegou na praia do Rosa e essa é a sua visão”. Geralmente acompanhados de imagens que destacam os visitantes. “Choveu e você mora na Praia do Rosa”, evidenciando ruas alagadas e reforçando o aspecto mais rústico e natural do balneário. Frases em espanhol também são comuns, como: “Grupo alcohólico haciendo planes no alcohólico” (grupo de alcoólatras fazendo planos não alcoólicos), em vídeos que mostram jovens subindo ladeiras irregulares em direção à praia. “En Praia do Rosa un día cualquiera a las 6 de la tarde me encontré un mono mimoso” (“na Praia do Rosa, num dia qualquer, às 18h, encontrei um macaco fofinho”), reforçando o caráter espontâneo e cotidiano das publicações. Karhawi defende que há uma série de fatores que, combinados, contribuem para transformar a maneira como as pessoas passam a conhecer e escolher novos destinos de viagem. Ela destaca o papel do TikTok, que reorganiza fronteiras entre local e global, e que favorece a viralização de conteúdos, atingindo públicos hipersegmentados (leia mais abaixo). Praia do Rosa, em Imbituba (SC) Prefeitura de Imbituba/ Divulgação Qual o perfil do turista argentino? Antes um segredo compartilhado entre surfistas, já faz algum tempo que a Praia do Rosa é conhecida internacionalmente como “pacífica e selvagem sem ser completamente remota”, como descreveu o The Guardian em 2015. Em 2013, foi incluída na lista francesa das 30 baías mais belas do mundo. Tainá Silveira Carvalho, sócia-administradora de uma pousada na região, afirma que a presença de turistas argentinos é tradicional há anos. Nas duas primeiras semanas de janeiro, no entanto, o que chamou sua atenção foi a idade dos visitantes: os turistas estavam mais jovens do que o habitual, especialmente em grupos de amigos. Entre 3 a 19 de janeiro, de acordo com ela, a hospedagem esteve totalmente preenchida por turistas argentinos e uruguaios. Ao todo, são três cabanas que acomodam até seis pessoas. "Nesse primeiro período de janeiro tive uma ocupação maior que o ano anterior, sendo, em média, 80% de argentinos e 20% de uruguaios. Esperamos que fevereiro seja ótimo também, pois ano passado esse período de fevereiro minha demanda de argentinos era maior", comentou. Embora ainda não haja dados consolidados desta temporada, a mudança no perfil dos visitantes — antes majoritariamente familiar — já foi percebida pela prefeitura e pelo núcleo de Turismo da ACIM. "Principalmente após o Réveillon, a partir do dia 2, a gente recebeu muitos argentinos entre 18 e 22 anos. Um perfil muito, muito jovem, um pouco diferente do que a gente estava acostumado a receber," comentou Cláudio Rosa. O secretário de Turismo Cultura e Inovação de Imbituba, Jackson Loro, afirmou que a cidade foi um dos destaques catarinenses no início da temporada. Enquanto isso, Florianópolis, destino que tradicionalmente recebe argentinos no verão, viu o número de turistas do país cair de 39% para 24% no início da temporada. "Os números oficiais ainda não foram apresentados, mas nós já recebemos da Secretaria de Estado do Turismo, referente a números parciais, que Imbituba, Laguna e Garopaba foram os grandes diferenciais da temporada, principalmente para o público argentino", comentou. A percepção da prefeitura é de que os jovens têm um papel importante na divulgação da cidade — especialmente da Praia do Rosa — nas redes sociais, ajudando a projetar o destino para além das fronteiras tradicionais do turismo. "A gente identificou uma 'pulverização' desses argentinos. Estamos recebendo muitos turistas das regiões de Córdoba, Rosário, Santa Fé e Tucumán, e não apenas de Buenos Aires e região", comentou. O que chama a atenção dos jovens? O que parece atrair esses jovens argentinos não está necessariamente ligado à infraestrutura sofisticada ou festas luxuosas, como é comum em outros destinos badalados, como Balneário Camboriú ou Florianópolis. Na Praia do Rosa, o apelo está na vibe mais alternativa, no contato com a natureza, nas festas ao ar livre e no estilo de vida despojado. Segundo o Ministério do Turismo, que listou o local como um dos destinos mais acolhedores do país, a praia é um "refúgio para quem sabe onde procurar". Aliado a isso, a taxa de câmbio favorável e a disponibilidade de voos baratos deixaram a viagem muito mais acessível para os jovens. Novas rotas aéreas entre Florianópolis e Argentina foram anunciadas para esta temporada de verão. Infográfico - Praia do Rosa g1 🤳 Como funciona a dinâmica de viralização? Usando um áudio viral que brinca com a ideia de se mudar para o destino de férias, uma publicação no TikTok que reúne diversos recortes de uma estadia na Praia do Rosa alcançou mais de 240 mil visualizações e 34 mil curtidas. O vídeo mostra trilhas que levam ao mar, festas, shows e a movimentação intensa de jovens no centrinho da vila — tudo sob o olhar de quem viveu a experiência. Ao fundo, um áudio viral, que costuma aparecer para consumidores de conteúdo de viagem, simula um diálogo entre um casal: — Eu vou morar aqui agora — diz o homem. — Mas temos nossas coisas, o trabalho... — Que coisas? Trabalho? Vende tudo. Coloca no caminhão e depois traz. "A gente chama isso de meme de áudio. O meme de áudio é estruturante no TikTok. A gente fala que o TikTok é a rede dos vídeos curtos...e é. Mas é uma rede organizada por áudio. A gente tem bibliotecas de áudio, a gente acessa áudios muito facilmente, reproduz áudios, se apropria de áudios e os coloca em circulação. Então, a estrutura do TikTok é muito baseada nessa linguagem mememédica dos áudios, que tem a ver com repetição, identificação, apropriação, reapropiação, recirculação", explicou Karhawi. "A gente também tem esse efeito de uma validação coletiva. Muitos vídeos mostrando o mesmo lugar e associando ao mesmo grupo, à mesma faixa etária, aos mesmos sentimentos", completou. Autora do livro “De blogueira a influenciadora”, Issaaf Karhawi explica que há três aspectos que podem ajudar a entender como fenômenos de viralização de pontos turísticos acontecem nas redes sociais. São elas: noção de mediação cultural, linguagem e local. Segundo ela, criadores de conteúdo atuam, muitas vezes, como mediadores culturais: eles traduzem elementos da cultura local para o público global, adaptando práticas, cenários e experiências a uma linguagem acessível e atraente nas redes sociais. Assim, conseguem valorizar e dar visibilidade ao que é local, mesmo dentro de uma plataforma com lógica e estética mundial. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/02/21/a-praia-de-sc-que-viralizou-no-tiktok-e-virou-febre-entre-jovens-argentinos.ghtml


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